FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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Conectividade e inclusão mudam a vida de comunidades carentes

O quanto de Boris existe em você

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Conectividade e inclusão mudam a vida de comunidades carentes

Nick Ellis
De Santarém, PA

torreA tecnologia está mudando a realidade de comunidades ribeirinhas que vivem ao longo do Rio Tapajós, na Amazônia, em um projeto ambicioso de inclusão digital. Por meio de um acordo entre a iniciativa privada e o poder público, foram instaladas antenas 3G para que os habitantes destas comunidades possam se conectar com o mundo, fazendo ligações e acessando a Internet, o que está transformando a vida destas pessoas, que até então viviam isoladas da sociedade.


O projeto de inclusão é uma parceria da Ericsson com a operadora Vivo, e conta com a participação da ONG Saúde e Alegria, que desde 1987 atende comunidades de locais de difícil acesso. A primeira etapa foi a instalação de uma antena 3G na cidade de Belterra em 2009. Embora a cobertura tenha sido suficiente para a cidade, não abrangia toda a população que vive às margens do Rio Tapajós.


Foi projetada então outra torre na comunidade de Suruacá. Depois de enfrentar a dificuldade para obter as licenças para fazer a instalação, começou o processo de levar as mais de 6 toneladas de equipamento ao longo do Rio Tapajós. Como o local não conta com energia elétrica até hoje, a estação radiobase (ERB) de Suruacá funciona com energia solar, que tem um custo mais alto de instalação, mas é totalmente sustentável. A torre de 50 m foi instalada em 2010, e atende mais de 50 comunidades, cerca de 13 mil pessoas.


As comunidades ribeirinhas são formadas por famílias de descendentes de índios, que moram nestes locais há várias gerações. Seus habitantes sempre buscaram conviver em harmonia com a natureza, aproveitando o que ela oferece, sem a necessidade de derrubar a floresta para sobreviver. E isso as torna os maiores interessados na preservação da Floresta Amazônica, ameaçada pela pecuária e por monoculturas como a soja.





paineis

Projeto Connect to Learn


Agora que as primeiras torres já estão instaladas e as comunidades já contam com banda larga, a Ericsson está trazendo para o Brasil seu projeto Connect to Learn, em uma parceria com a Millennium Promise e o Earth Institute da Universidade de Colúmbia. A iniciativa busca promover a inclusão nas escolas através da tecnologia da banda larga, e tem como objetivo convencer os governos locais e o poder público a transformarem a ideia em políticas de educação nacional.


O projeto tem menos de um ano e meio e hoje atende 8 mil estudantes. Nas comunidades do Rio Tapajós, o Connect to Learn está colocando notebooks dentro das salas de aula das escolas para que os alunos possam se conectar com o mundo, interagindo com outras comunidades que também receberão o mesmo projeto, como a Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro.


Para a vice-presidente de sustentabilidade da Ericsson, Elaine Weidman, "o efeito da comunicação nestas comunidades é transformador". Ainda segundo Weidman, a parceria com as ONGs locais nesta iniciativa é essencial, pois elas são totalmente integradas às comunidades que serão atendidas, fiscalizando e avaliando o trabalho que está sendo feito.


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O quanto de Boris existe em você?

William Douglas


Após ouvir lixeiros desejarem "feliz 2010", Boris Casoy disse "... que m----, dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... (risos) ... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho." O episódio chocou. As reações que está sofrendo são exageradas? Ou ele as merece? Os lixeiros desejaram a todos (inclusive a ele, portanto) "paz, saúde, dinheiro, trabalho" e o que se seguiu foi, usando sua terminologia, "uma vergonha".


O pedido de desculpas, protocolar, não teve eficácia, talvez até o contrário. A oposição entre a imagem do apresentador e o comentário em off, revelador de uma visão elitista e preconceituosa, frustrou a ideia de respeito a todos e ao telespectador (imaginem o filho de um gari ouvindo isso). A rudeza dos comentários não se resolve por ter sido um acidente e não é fácil pedir desculpas pelo que se é ou pensa. Contudo, até que ponto a diferença entre nós e o Boris reside apenas no azar que ele deu pelo vazamento? O quanto de Boris existe em cada brasileiro?


Quando alguém se refere ao ponto "mais baixo na escala do trabalho" pode estar se referindo ao conteúdo moral ou social da atividade (como, por exemplo, criticar o tráfico ou a agiotagem), pelos riscos ou pela remuneração reduzida. A atividade de lixeiro não é nociva à sociedade.


Nocivo seria, para a saúde e meio ambiente, que eles não atuassem. Como o risco não é tão grande, por eliminação, resta a remuneração. E aí reside um preconceito que resiste: julgar a dignidade das pessoas, ou das profissões, de acordo com sua remuneração. Há que se reconhecer que nem sempre existe equilíbrio entre a importância social de uma função e os ganhos que esta proporciona. E não se pode confundir o desejo de melhorar de vida ou ganhar mais, e a admiração por quem logra isto, com uma postura de menoscabo com as funções menos rentáveis.


Todo trabalho é digno. O que existe, em cada ofício, são pessoas que agem bem e outras não. Existem servidores públicos, CEO's, lixeiros, jornalistas e juízes dignos e indignos, o que se define pela forma como exercem sua atividade. Mais que isso, Jesus dizia que "a vida do homem não consiste na abundancia dos bens que possui".


Se você, leitor, julga alguém melhor ou pior levando em consideração o quanto a pessoa ganha, ou como se veste, ou onde mora, é preciso reconhecer que em você há, escondido, um pouco desse lado sombrio que o Boris revelou ter. Talvez o lado positivo desse episódio seja a reflexão sobre até que ponto ele não revela nossos preconceitos em off.


Camila Pitanga, que faz o papel de uma faxineira na novela global, afirmou que anda pelo estúdio sem ser cumprimentada quando está com os trajes da personagem. Feliz pelo papel ser convincente, não deixou de anotar como é estranho ficar "invisível", Esse fenômeno já foi objeto de estudo por um professor da USP que, vestido de faxineiro, ficou "invisível" na universidade, por anos. Em suma, quem deixa de ver o faxineiro, não deixa de ter seu lado Boris. Não que o Boris seja de todo mal, ele não é. Ninguém é. Somos todos humanos, com nossos lados luminosos e sombrios.


Boris também errou ao analisar a função de lixeiro. Os "'garis" são figuras simpáticas à população, vivem de bom humor e, ao lado dos carteiros, têm índices de aprovação e confiança que fazem corar os Poderes, a igreja e a imprensa. Infelizmente, estas instituições não são eficientes para limpar seus respectivos "lixos" como os garis o são com o lixo que lhes cabe. Por fim, não esquecer que - com seu jeito e ginga – um gari ilustra o vídeo institucional da bem sucedida campanha "Rio 2016". No Rio, os concursos para gari são concorridíssimos.


Certa vez, fui a uma festa na casa de um Procurador do Ministério Público do Trabalho (negro e onde grande número de convidados eram afro descendentes). Fui com meus dois filhos e a babá do mais novo. Ela, negra, não está acostumada a ir a festas com tantas pessoas da sua cor. Em restaurantes e colégios caros, só para dar dois exemplos, é raro encontrar pessoas negras.. Depois da festa, perguntei à babá o que ela achou e sua resposta foi: "Achei muito diferente, Dr. William. As pessoas olhavam para mim!". De fato, quem reparar vai ver quantos ignoram os trabalhadores mais humildes, quando não chegam a destratá-los. Naquele ambiente raro, a jovem experimentou a "não invisibilidade".


E você, leitor? Cumprimenta seu lixeiro? O garçom? A babá da vizinha? O porteiro? Você os vê? Aquele áudio procura você. Se você se julga, ou julga os outros, por quanto ganha, por qual carro tem, ou se não tem um, então o episódio pode revelar esse lado do Boris em seu cotidiano. Melhor que apenas discutir o que fez o Casoy é também questionarmos até que ponto reconhecemos o valor de todo e qualquer trabalho honesto. –


R E F L I T A !


William Douglas é juiz federal com mestrado em Direito e pós-graduação em Políticas Públicas e Governo. Atua também como professor em cursos de extensão em Direito e preparatórios para concursos. É autor de vários livros com dicas para passar em concursos públicos - refletiu sobre Boris


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