FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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HISTÓRIA EMANUELA


Eu sou o Pai da Emanuela encarregado de contar a história dessa mocinha que já passou por nove cirurgias antes de completar 02 anos de idade. Vamos dividir a história em 13 (treze) partes que serão publicadas semanalmente no site www.focabrasil.com.br. Espero que além de vocês conhecerem uma história maravilhosa, considerando os resultados obtidos até presente data, sirva para contribuir com várias famílias que passaram ou passam por situação semelhante. A mãe será a revisora dos textos, pois além de corrigi-los acrescentará alguns detalhes a mais por ter conhecimento integral de tudo que aconteceu até hoje. Jorge Furtado


Parte I | Parte XII | Parte XIII


PARTE I – NASCIMENTO


13/10/2008, a Mãe ainda estava no 6º mês de gestação (24 semanas), quando a placenta descolou. Tivemos que correr para o Hospital São Camilo, pois morávamos em Macapá naquela época.


Não sai de perto da mãe. Cada novidade, cada novo progresso era como um milagre, um prêmio. Quando fizeram o ultrassom, tivemos certeza que ela estava bem. Eu e a Mãe tivemos medo de perder a criança e depositamos todas as nossas esperanças em Deus.


A mãe depois de atendida chegou a ir para o apartamento, porém duas horas depois o sangramento havia se tornado uma séria hemorragia. Chamei imediatamente a enfermeira e ela foi conduzida para a sala de atendimento de emergência. A médica assistente me disse: se não operar agora perde a criança. Não tive dúvidas e disse, pois opere.


Programada para nascer em Brasília, no mês de janeiro de 2009, nossa filha se apressa e nasce em Macapá às 18h35 do dia 13 de outubro de 2008, pesando somente 1.100 Kg.


Às 19h00 ela foi levada direta para incubadora da UTI-Neonatal, entubada, aquecida, monitorada, respirando com auxilio de ventilação mecânica. A enfermeira disse para a mãe que ela estava corada, sem febre, e ficaria sob permanente e rigorosa vigilância. Foi colhido sangue e instalado soro.


Às 20h20 a bebê apresentou queda de saturação chegando a 39%, sob cuidados estabilizou-se em 94%.


Dia seguinte às 07h15 sob rigorosa vigilância, apresentou quadro estável, com sensor de pele, temperatura e oximetro. Tinha até protetor ocular.


ManuÀs 14h00 foi iniciado fisioterapia motora e respiratória e em seguida realizado mudança de decúbito dorsal para lateral direito.

Na foto ao lado ela se encontra como já descrito: entubada, aquecida, monitorada, respirando com auxilio de ventilação mecânica. Ficou na incubadora por 47 dias, antes de ir para o apartamento.


Todos da UTI a chamavam de "RN da Viviane" ou simplesmente "Vivi", mas já tínhamos escolhido seu nome – Emanuela, feminino de Emanuel, que significa "Deus presente". Nesta data já estava com 1.255 Kg.


Com uma dieta de apenas 10 ml, ela ganhou algumas gramas, mas logo em seguida perdeu peso. No dia 19/10/2008 estava com 1.070 Kg, 30 gramas a menos do que nasceu. Nesse mesmo dia recebeu transfusão de sangue, pois seu quadro era muito delicado.


ManuPor outro ângulo pode-se ver como a fralda era quase maior do que ela. Nossa visita era diária, pois a mãe passou apenas dois dias internada e o único contato era com o toque de nossas mãos em seu diminuto corpinho, como visto na foto anterior.


Todos os dias a mesma aflição de saber se ela resistiria, pois com 1.100 Kg e ainda perdendo umas gramas só a Fé em Deus nos sustentava naquele ambiente. Nas duas visitas diárias que fazíamos entramos em contato com os pais das outras 09 (nove) crianças da UTI-Neo, que recebiam atenção semelhante à da nossa Emanuela. Chegamos a presenciar dois óbitos e ficamos muito angustiados.


No dia 21/10/2008, com 35 gramas a mais, fui até o Cartório Jucá registrar e tirar a Certidão de Nascimento de Emanuela Coimbra Furtado, que a partir daqui chamaremos carinhosamente de Manu.


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PARTE XII - NOVO SUSTO, NOVA CRISE


Com Emanuela se desenvolvendo bem, crescendo como o esperado para uma criança da sua idade, a vida estava seguindo seu fluxo normalmente. Até que na manhã do dia 25/04/2012, levamos um grande susto. Estávamos nos preparando para sair ao trabalho, Viviane terminando de se arrumar e eu já pronto sentado na cama ao lado de Emanuela, notei que nossa filha estava muito quietinha. Comentei com Viviane e ficamos alerta. Vez ou outra a mãe falava com ela, que não esboçava muita animação. Manu iniciou por ficar pálida, seu sorriso foi desaparecendo e a mãe me alertou de que algo estava diferente. Viviane pediu para Emanuela apertar sua mão e não obteve reação da filha. Naquele momento eu já estava também pálido e preocupado e pedi para a mãe se apressar. Confesso que meu primeiro pensamento, em situações como essa, é pelo temor de nova cirurgia.


Antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, Emanuela iniciou uma crise convulsiva. Viviane estava acabando de lhe trocar as fraldas quando a crise começou.


Foi só o tempo de pegar a pasta com a documentação e correr para o carro. Viviane foi sentada no banco traseiro, segurando nossa filha em crise convulsiva. Da pequena e lívida boca saia espessa espuma e a mãe, com medo de que a filha sufocasse, por diversas vezes sugou com a própria boca aquele excesso de saliva espumante.


Honestamente, não sei como dirigi naquele dia. Encontramos muito trânsito no percurso, mas o caminho sempre se abria à nossa passagem. De Águas Claras ao final da Asa Sul, para onde nos dirigíamos, o trafego estava intenso e, na metade do caminho, tivemos a ideia de levar Manu até o consultório do Dr. Benício, localizado no Sudoeste, a metade do caminho. Telefonei para ele, sem relatar o que estava acontecendo, e recebi a confirmação de que estava em seu consultório.


Tal estapafúrdia ideia só ocorreu pelo nosso estado de ânimo alterado, pois em situação como essa o protocolo determina o atendimento em emergência hospitalar. O médico pouco poderia fazer em um consultório, visto necessitar de medicação para fazer cessar a crise! Infelizmente, como dito, nosso desespero nos levou a desviar nosso caminho do Hospital Santa Lúcia ao consultório do Dr. Benício.


Lá chegando, enquanto eu buscava estacionar, Viviane corria com Emanuela nos braços Centro Clínico adentro, Rafaela a acompanhava. Ainda em crise convulsiva, foi encaminhada por Dr. Benício ao hospital. Combinamos que ele ligaria ao Santa Lúcia informando que sua paciente daria entrada no serviço de emergência. Viviane ouviu as orientações do médico e retornou correndo com Emanuela nos braços, momento em que me telefonou pedindo para encontrá-las na entrada do edifício. Se eu estava nervoso, naquele momento a coisa piorou muito, pois perdi o ticket do estacionamento e entrei em desespero.


Viviane no meio da rua, com uma criança em convulsão nos braços, teve o mesmo sentimento de desespero, contudo, como Deus não desampara seus filhos, o socorro surgiu de onde menos podíamos esperar: um desconhecido disse a Viviane que ela não deveria ficar ali e se prontificou a levá-la ao hospital. Estavam praticamente ao lado do Hospital das Forças Armadas e o desconhecido instalou minha mulher e filha no banco traseiro, colocou um giroflex sobre o teto do carro e, com sirene ligada e pela contramão da via as conduziu à emergência do HFA. Daquele momento em diante ele não foi mais visto, não sabemos seu nome, apenas que sua providencial ajuda foi fundamental aos acontecimentos que se sucederam a partir dali. Por ser hospital destinado aos militares, não imaginávamos que poderíamos ser atendidos, pura ignorância, pois a situação de emergência não distingue civis de militares e, assim, Emanuela recebeu pronto atendimento e pôde ter a crise cessada. No início da noite, com Manu estabilizada, fomos liberados com a condição de procurarmos pelo médico assistente no dia seguinte.


Sempre que relembramos esse episódio gostamos de dizer que o universo conspira em favor das pessoas. Fazer o bem é algo que movimenta a roda do universo em favor do bem. Aquele estranho que nos ajudou, provavelmente um policial civil ou federal, não nos fez apenas o bem, além do exemplo, da gratidão que ainda hoje sentimos, estamos certos de que ele moveu o universo ao seu favor e, que no momento em que precisar (se já não precisou...) terá sua boa ação convertida em seu benefício. É sobre essa premissa que pauto o projeto da Focabrasil. Fazer o bem só faz bem, não tenho dúvida disso!


Voltando a história da Manu, já em casa toda a atenção ficou dispensada ao nosso anjo e a mãe aproveitou para fazer esta postagem em seu mural do facebook:

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Após tratarmos com Dr. Benício pelo telefone e explicar-lhe o porque de não chegarmos ao Santa Lúcia, ele nos orientou a irmos ao seu encontro no Hospital da Criança no dia 27/04/2012.


manuNo dia marcado lá estávamos, num local bonito e espaçoso do recém-inaugurado Hospital da Criança José Alencar que, ao contrário da maioria dos hospitais públicos, se revelou uma grata surpresa pelo ambiente e atendimento oferecido.


A espera foi demorada e surgiu um fato inesperado, em face da quantidade de atendimento e o horário das consultas se encerrando, ao invés de sermos atendidos pelo Dr. Benício, fomos chamados por um Neurologista residente. Da sala de espera víamos Dr. Benício em sua sala e ficamos muito frustrados em não falarmos com ele. Viviane ficou indignada e não escondeu isso do médico que nos atendia que, após nosso relato, prescreveu à nossa filha Fenobarbital, cujo nome comercial é Gardenal.


Questionei a prescrição e apresentei minha opinião sobre o uso de tal remédio. O médico se chateou um pouco e foi até a sala ao lado falar com Dr. Benício. Demos graças a Deus por isso, pois não tínhamos nadado tanto para morrer na praia...


Dr. Benício veio até a sala onde estávamos e nos confirmou a necessidade do uso do Gardenal, deu suas explicações, como sempre convincentes e solicitou uma Tomografia Computadorizada.


Saindo dali argumentei com Viviane que era (como ainda sou) contra o uso de tal medicamento que, por ela já deveria ser comprado e ministrado à filha consoante prescrição médica.


Procurei me informar melhor sobre os efeitos e necessidades daquele medicamento e, depois da manifestação de vários amigos e de ouvir muitos relatos de pais que passaram por isso e pessoas que fizeram uso e hoje tem vida normal, concordei em dar a medicação, mas só depois do resultado da TC, que ocorreu no dia 16/05/2012, assim transcrito:

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Em poder do laudo e das imagens acima, Dr. Benício bateu fotos, acreditamos que para exibir aos seus alunos da Faculdade de Medicina, ou para arquivos pessoais. Em uma consulta muito franca, aliás como sempre é o proceder desse médico, Dr. Benício nos explicou que Emanuela está crescendo e se desenvolvendo e que crises como a que aconteceu poderiam ser mais frequentes e eram esperadas e que o remédio deverá ser tomado por toda a infância de nossa filha. Disse-nos que, entre as consequências de uma convulsão para o cérebro e os efeitos de um anticonvulsivo potente como o Fenobarbital, é preferível o uso da medicação e que ele seriamente nos recomenda seu uso. É óbvio que seguimos suas recomendações e prosseguimos ministrando o Gardenal à nossa filha.


Posteriormente, por sugestão da equipe médica do Hospital Sarah Kubitschek, Dr. Benício substituiu o Fenobarbital pelo Valproato de Sódio, uma medicação melhor adequada às crianças com potencial cognitivo viável, como é o caso de Emanuela, conforme palavras da equipe do Sarah. Emanuela segue com a medicação até o tempo presente (abril de 2013) e, graças a Deus, não teve outra crise convulsiva desde então.


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PARTE XIII (ÚLTIMO CAPÍTULO) – VIDA NOVA, ESPERANÇAS RENOVADAS


Cada novo dia na vida de Emanuela representa uma vitória, muitas conquistas. O dom da vida é algo muito especial. Graças a Deus ela está neste mundo para dar e receber amor. É uma criança muito amada pelas nossas famílias e por nossos amigos. A todos ela retribui o carinho com lindos sorrisos e muita doçura.


Enquanto esse segundo coraçãozinho e o principal funcionarem vamos viver o presente e comemorar cada dia como se único fosse. Tem sido assim e nossas famílias estão sempre engajadas nessa celebração. As imagens seguintes mostram a festa surpresa, organizada pelas irmãs e tias, em comemoração ao seu quarto aniversário. Voltávamos de uma temporada de três meses no Amapá e fomos surpreendidos por essa linda homenagem à nossa pequena.

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Na imagem da direita temos a reunião de todas as irmãs e irmão de Manu, numa corugisse escancarada e, ao lado, tio Edson e tia Lílian representando os amigos queridos.

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Car@s amigos(as)
No próximo dia 13/10/2013 Emanuela completará cinco anos e quero registrar o nosso caminhar.
Considerando que entendemos nossa filha e tudo o que passamos como um presente de Deus, quero torná-la símbolo do meu projeto de vida que é a FOCABRASIL – uma instituição voltada para a conscientização e construção de um mundo melhor.
Já estamos há mais de um ano no campo virtual e queremos, após o aniversário de Manu, iniciar nossas ações no campo presencial.
Não dispomos de recursos para enfrentar os desafios que virão e, como também já dissemos anteriormente que faríamos, não pretendemos enveredar pelo campo das doações, uma vez que essa prática está desacreditada pela maioria das pessoas. Preferíamos realizar algum tipo de serviço, oferecer nosso labor para que venhamos a angariar fundos para a FOCABRASIL.

Depois de termos contado a história da Manu aqui no site, um amigo sugeriu que transformássemos a narrativa em um livro. Achamos a ideia formidável e, por esse motivo, venho anunciar que estaremos providenciando a edição do livro contendo a história completa de vida da Emanuela, e gostaríamos de vendê-lo a todos os amigos e leitores que se encantaram com o que acompanharam por aqui.
Meu compromisso é de que 50 % do valor do livro será destinado ao trabalho social da FOCABRASIL, os outros 50% ficarão para cobrir despesas de editoração e gráfica, dentre outras, sobrando alguma coisa será destinada aos estudos e atenção médico-hospitalar da Manu.
Caso consigamos viabilizar as providências para lançamento do livro, pensamos em fazê-lo em dezembro de 2013.
O último capitulo ficou bem curtinho, mas a parte principal da conclusão diz respeito aos dois corações que ela possui. No livro faremos um capitulo mais longo, mas que não fugirá dessa linha.
A propósito, será o último capítulo, mas não o final. Muita coisa ainda espera pela nossa pequena, há muita vida pela frente...

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Muito gratos pela companhia de vocês e pelo carinho expressado.
Jorge Furtado e Viviane Coimbra


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