FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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Conscientização Política


“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam.” (Arnold Toynbee)


Uma questão que se tem colocado e que exige reflexão é como reagir à tamanha degradação da representação popular. Evidentemente, o povo brasileiro não admite que sejam efetivamente seus representantes os que se valem do mandato popular como escudo para garantia de impunidade ou como trunfo para obtenção e manutenção de vantagens para si próprios, seus familiares e amigos e seus grupos políticos. E há também os que se valem do mandato para se associarem a empreendedores econômicos que distribuem com eles uma parte dos ganhos obtidos à custa de fraudes e ilegalidades, que são praticadas impunemente graças à proteção dada pelos altos mandatários. Eles receberam um mandato popular, mas estão longe de representar o povo.


O conjunto das reações indignadas pode ser sintetizado como condenação absoluta dessas práticas corruptas e exigência de imediata moralização dos costumes políticos. Mas como conseguir a mudança? Entre as manifestações de indignação encontram-se algumas que revelam pessimismo e descrença na possibilidade de eliminação desses vícios, havendo quem fale em “virar as costas aos políticos”, dar a mínima importância às atividades políticas. Esse tipo de reação, embora compreensível à vista de tanta corrupção, é ingênuo e só contribui para a manutenção do sistema degradado.


Na realidade, todo povo tem necessidade de um governo, e as circunstâncias da vida contemporânea tornam inevitável o uso do sistema representativo, que é sistema político. Assim, pois, o que se deve fazer agora, com o impulso dado pela rejeição indignada do sistema corrupto, é iniciar um amplo e intenso movimento de conscientização política.


O momento é propício para lembrar aos beneficiários de alguma forma de corrupção política que eles têm uma parte de culpa na degradação do sistema e que, de alguma forma, sempre acabarão sendo vítimas da corrupção que ajudaram a implantar e manter.


O povo brasileiro conscientizado e estimulado derrubou a ditadura. Esse mesmo povo tem condições para derrubar a corrupção política. A imprensa, as associações, as escolas, as reuniões de amigos, o ambiente familiar, devem participar ativamente dessa investida contra a corrupção política. A ação, não a omissão, é o meio eficiente para a eliminação dos corruptos e a conquista de um sistema em que os mandatários sejam dignos de se apresentarem como representantes do povo.


Votamos em candidatos que são mais capazes na divulgação de suas ideias. Eles saem vitoriosos das disputas eleitorais e se sentem livres das cobranças dessas ideias, porque no Brasil virou lugar comum saber dos políticos apenas quando os seus nomes aparecem em escândalos no noticiário. A maioria dos eleitores não se recorda em quem votou nas eleições passadas.


A questão das relações entre ética e política se transformou na questão primeira do debate nacional a partir das recentes denúncias de corrupção. Este debate é de fundamental importância para a vida nacional, mas é marcado por uma visão muito unilateral do fenômeno político. Ele dá a entender que tudo seria maravilhoso se nossos governantes possuíssem um conjunto de virtudes que atestassem seu bom caráter do qual dependeriam a paz e a ordem social.


Perde-se assim uma das intuições fundamentais do pensamento político ocidental desde seus primórdios: o que é decisivo para a ética na política não são simplesmente as virtudes privadas dos governantes, mas o ordenamento institucional, porque é dele que depende se os cidadãos têm acesso ou não a seus direitos universais.


Falar de ética na política significa compreender que é tarefa do Estado garantir a participação popular na gestão da coisa pública, através da criação de mecanismos permanentes de participação direta da população e da constituição de comitês populares para acompanhar e fiscalizar as atividades e as obras do Estado. Só assim será possível assegurar e ampliar os direitos sociais e enfrentar a questão básica que nos marca secularmente, a questão da desigualdade e da exclusão social. Isso implicaria uma reversão das prioridades no que diz respeito às políticas públicas, passando para o primeiro plano as que visam assegurar oportunidades de emprego e salário justo e os meios necessários para uma vida digna entre as quais se vão situar o acesso à terra e ao solo urbano como também moradia e saneamento para todos.


Claro que nesse contexto é muito importante ter presente de que a corrupção individual e social é antiga, lamentavelmente se transformou num elemento estrutural do exercício do poder e da cultura política que nos marca. Por isso, não espanta e nem causa indignação a muitos o fato de que nossos partidos políticos não tenham defendido no parlamento de modo consistente as reformas e as políticas públicas que tornariam o país menos vulnerável à corrupção individual e à continuidade de uma configuração iníqua da vida coletiva, porque marcada por um conjunto de instituições que sustentam as diferentes formas de exploração e de degradação da vida humana.


Para além das virtudes pessoais dos governantes, o que realmente pode garantir a ética na política é a existência de instituições sólidas e de mecanismos de administração transparente, que sejam capazes de garantir os direitos universais do cidadão assim também como a existência de meios de comunicação livres, independentes, e de organismos de controle social que acompanhem o exercício do governo.


O grande desafio do momento é que sejamos capazes de ir além de uma crítica moralizante à corrupção pessoal, que facilmente é acompanhada de enorme hipocrisia, e nos empenhemos com seriedade numa crítica cívica às instituições e às políticas públicas.


Especialistas em comportamento social mostram pessimismo, quando o tema em debate é a política na sua essência. Eles definem essa nossa época como a "era da apatia". Por isso, nesse mundo sem bandeiras e palavras de ordem, o desafio de mobilizar a sociedade para realizar mudanças, que ela nem bem sabe por onde deveria começar passa obrigatoriamente pela educação. E, sobretudo precisa de cidadãos indignados, que gritem contra a maré de corrupção que infesta sua política e suas instituições para finalmente poder caminhar em direção a um futuro melhor, onde reinem a paz, a justiça e o direito.


Para um bom começo, Educação é tudo!


Voto não tem preço, tem consequências.

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