FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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FASSINCRA – Possibilidades/Comentários

A Fassincra na UTI

ANS - A Porta Giratória das Operadoras

A Máfia dos Médicos

Os Bilionários e a Fila Indecente

Por que médicos cubanos assustam

Demografia Médica no Brasil

Revalida - A Medicina colocada em exame

Governo quer desfigurar o Revalida

50 segredos das pessoas que nunca adoecem

DPAC - Desordem do Processamento Auditivo Central

Código de Ética Médica

Dicas de Saúde

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FASSINCRA – Possibilidades/Comentários


1. O INCRA assumir a gestão do plano via RH – estruturar uma coordenação e assumir toda gestão, mais ou menos nos moldes da FASSINCRA;
2. Restabelecer a FASSINCRA com o pagamento do passivo (aporte de recursos);
3. Migrarmos para outro Plano de Saúde de autogestão – a recomendação seria que fosse a GEAP, que vem enfrentando problemas tão grandes ou maiores dos que os da FASSINCRA;
4. Migrarmos para outro Plano de Saúde de mercado – nesta alternativa estaremos sendo atirados às garras do leão, tema recorrente em todos os noticiários jornalísticos;
5. Ação Justiça – Com pedido de liminar para assegurar a manutenção do plano com a cobrança dos débitos do INCRA para com FASSINCRA, ou seja, o pagamento do passivo existente que o INCRA insiste em não reconhecer como sendo seu, apesar de ser o instituidor e patrocinador do Plano.

Comentários:

1. GESTÃO POR RH – INCRA
O INCRA deverá montar uma estrutura própria, contratar uma empresa para gerenciar a parte de atendimento, credenciar toda rede hospitalar e licitar os serviços.
Em função do prazo que resta da notificação impossível.
Possibilidades: O INCRA assumir a gestão via RH e negociar com a ANS o atendimento via FASSINCRA pelo menos por 06 (seis) meses enquanto se estrutura.

2. RESTABELECIMENTO DA FASSINCRA com o pagamento do passivo (aporte de recursos).
O INCRA não reconheceu até presente data a responsabilidade pelo passivo, então pelo prazo da notificação – impossível.
Possibilidades: O INCRA reconhecer a dívida e assumir com a ANS o pagamento no próximo ano em função da alocação dos recursos no orçamento.

3. GEAP
A GEAP está em saneamento pela ANS e segundo noticia há grandes chances nos próximos 90 dias de receber sinal verde pela ANS no sentido de operar normalmente no mercado. Foi publicada nesta sexta-feira um novo Estatuto da GEAP.
Pelo prazo da notificação e situação da GEAP – impossível.
Possibilidades: O INCRA negociar com a ANS / MPOG no sentido da GEAP absorver os beneficiários da FASSINCRA mesmo estando nesse processo de recuperação.
Já tendo uma nova GEAP negociar a migração.

4. PLANOS DE SAÚDE MERCADO
Aqui não precisa de muito esforço é só a ANS decretar a liquidação ou venda da carteira e estaremos nas garras do leão.
Possibilidades: É só meter a mão no bolso e pagar os preços exorbitantes de mercado.

5. AÇÃO JUSTIÇA
A FASSINCRA preparar uma ação bem fundamentada para conseguir a liminar pela sua manutenção imediata e a em ritmo ordinário a cobrança dos recursos que deixou de receber antes e durante o per capita e que gerou a dívida, que se paga automaticamente o passivo da FASSINCRA.
Possibilidades: Não havendo negociação administrativa é só entrar com a ação.

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Jorge Furtado

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A Fassincra na UTI

Basta alguém lhe falar que tem um amigo ou parente na UTI que o pensamento é automático, está entre a vida e a morte. Assim, de forma análoga, nos referimos a outras situações, como é o caso da Fundação Assistencial dos Servidores do INCRA – FASSINCRA.


A situação é gravíssima e o único remédio que encontraram até agora foi o bolso dos associados/beneficiários.


Seria este o único remédio?


Lógico que não. A FASSINCRA, por ser uma entidade autogestora dos serviços à saúde dos servidores do INCRA, tem na sua administração desde a época de sua criação – 1977 – servidores do próprio órgão que sempre buscaram o caminho mais fácil e mais cômodo.


A grave crise que a FASSINCRA enfrenta, além da gestão, a elevação exorbitante do aumento do custo saúde, em detrimento do congelamento salarial de seus associados e da criação do valor per capita repassado pelo Governo Federal, cujo montante por beneficiário está bastante aquém do ideal, encontrando-se extremamente defasado, mesmo com o aumento mais recente.


O desequilíbrio financeiro, iniciado em 2007, teve sua origem na defasagem dos recursos aportados pelo INCRA ao Plano FASSINCRA-SAUDE, por meio dos termos conveniados. Isso refletiu na incapacidade da FASSINCRA em saldar os débitos contraídos pelos associados junto à rede credenciada, vez que as despesas superaram as receitas ao longo dos últimos cinco anos.


2006 – resultado positivo - R$ 3,116 milhões
2007 – resultado positivo – R$ 0,183 milhões
2008 – resultado positivo – R$ 1,222 milhões
2009 – déficit superior a – R$ 2,764 milhões
2010 – déficit superior a - R$ 6,096 milhões
2011 – déficit superior a - R$ 10,761 milhões
2012 – déficit superior a - R$ 27,000 milhões
2013 – déficit superior a - R$ 48,000 milhões


Quando em 2006 o saldo de R$ 3.116 milhões passou para R$ 183 mil em 2007, os gestores da época não souberam mais administrar e modernizar o sistema diante das alterações ocorridas nesse interstício. A Agência Nacional de Saúde – ANS, com uma legislação pesada sobre os Planos de Saúde e o repasse através de valores per capita do Governo Federal.


Com gestores acostumados a só gastar o dinheiro da viúva, ficou difícil ser eficiente diante de novos desafios. De 2009 para frente só DEFICIT e ameaças de intervenção por parte da ANS.


A atual gestão com uma empresa especializada na área médica afirma categoricamente a todos que conseguiram zerar as contas no mês, ou seja, receita e despesa no mês estão equilibradas, portanto, se assim é, a FASSINCRA é viável, porém o PASSIVO pode levá-la para a insolvência se nada for feito.


Eu nunca tive dúvidas da sua viabilidade, porém nunca acreditei em gestões de amigos ou companheiros, pois a economia global exige profissionais competentes, honestos e eficientes. E nesse conjunto quem passou por lá não conseguiu reunir concomitantemente esses três perfis.


Quando a canoa começou a fazer água temos o outro lado da moeda, os associados que pulam fora de imediato sem antes fazer uma boa reflexão se esse é o melhor caminho ou se lutar pela reestruturação da FASSINCRA seria melhor para si e para sua família. Saem, aumentam as dificuldades e deixam os problemas para os outros.


Durante os últimos embates para encontrar uma saída não vi ninguém levantar a voz para promover uma luta em prol do NÃO fechamento da FASSINCRA. Pular fora ou questionar a taxa extra foram o caminho mais fácil.


No entanto, após conhecimento da realidade, nós servidores associados ou não temos a obrigação de levantar a voz em defesa de uma FUNDAÇÃO que há 36 anos cuida da nossa saúde e é viável.


Temos ao nosso favor a comprovação legal que o INCRA é devedor de valor atualizado próximo a R$ 40 milhões, valor este que se reconhecido e pago quita o débito da FASSINCRA sem precisarmos meter a mão no bolso em dez centavos sequer.


No levantamento feito e relativo ao resultado deficitário entre 2007 e 2011, onde tinha três cenários possíveis e adotando o menor e mais fácil de comprovar legalmente o débito em 2012, o valor levantado foi de R$ 28.795.290,92 (vinte e oito milhões, setecentos e noventa e cinco mil, duzentos e noventa reais e noventa e dois centavos).


Todas essas informações encontra-se no anexo do Ofício/FASSINCRA/DE/N.º 012/2012, entregue na Presidência do INCRA e nenhuma análise foi feita até presente data.


Para quem leu o artigo "A PORTA GIRATÓRIA DA ANS E DAS OPERADORAS" publicado neste site também (http://www.focabrasil.com.br/qdevida-materias.html), há de se perguntar: o INCRA está a favor da FASSINCRA ou da ANS? Eis a questão, pois para quem leu também "A MÁFIA DOS MÉDICOS" há de se questionar de que lado o Governo (MDA / INCRA) está?


É complicado, um sistema insensível à melhor reestruturação que se possa dar a um Plano de Saúde que garante tranquilidade aos seus servidores e familiares.


No que menciona o artigo/entrevista "A Máfia dos Médicos" e mais o comprometimento dos Diretores da ANS com as Operadoras fica difícil encontrar repostas para nossa FASSINCRA, uma vez que a Constituição Federal em seu artigo 199, diz que a assistência à saúde é livre à iniciativa privada.


Por mais que as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos tenham a preferência, o governo com certeza está mais interessado em transferir esses recursos para a iniciativa privada, fomentando a medicina mercantilista.


Apesar de todas as dificuldades financeiras, a FASSINCRA atingiu nota máxima no quesito satisfação dos associados, pois o plano é abrangente e superior a todos os outros da iniciativa privada, que não conseguiram mesmo desempenho, a não ser liderar o ranking de reclamações nos PROCON.


A extinção da FASSINCRA, além de transferir para o INCRA a solução do déficit aqui apresentado, transferirá também a administração de um problema social de considerável dimensão, com a extinção de um plano de assistência integral à saúde, com preços inigualáveis no mercado, para uma população idosa, com perfil demográfico sensivelmente discrepante com o perfil desejado pelas operadoras de planos de saúde mercantilistas, conforme já comentado.


Muitos serão os que vão engrossar as fileiras do SUS, em função da impossibilidade de arcarem com os preços dos planos de mercado. Além disso, o impacto psicológico que muitos não saberão enfrentar a contento em face de diversos fatores, entre os quais a insegurança na garantia de atender os seus familiares.


Perguntado a atual Diretora Executiva, a Senhora Maria de Jesus Santana da Silva, da viabilidade e do saneamento da FASSINCRA, esta respondeu que conseguiram equilibrar as contas no mês, que já reduziram o quadro de pessoal de 160 para 80 funcionários e que ainda estão planejando uma redução em torno de 30%. O aluguel de R$ 25.000,00 com sua Sede em Brasília será convertido em Taxa de Ocupação pelo uso das dependências do INCRA.


Lembrou que a GEAP está sob Direção Fiscal e Intervenção, mesma condição da UNIMED e que a AMIL foi vendida para a americana United Health Group por 5 bilhões, porém está na expectativa de que o Governo apresente uma solução para a FASSINCRA.


Sem a disposição de se levantar a voz contra a falta de iniciativa do Governo Federal, o INCRA não dará um passo para a solução, além das tímidas e burocráticas iniciativas intentadas até o momento. Há necessidade de uma forte mobilização dos servidores e familiares nesse sentido. Não se consegue nada sem lutas.


Perguntado ainda sobre as vantagens da FASSINCRA em relação a outros planos, Maria de Jesus disse que a primeira vantagem é que atuam sem fins lucrativos, então o superávit, pode ser investido na própria instituição, outra vantagem é que contempla a Assistência Odontológica além da médica, e, ainda, que todos os associados participam das decisões, questão proibitiva na iniciativa privada.


Conclui que com a solução do débito do passivo a FASSINCRA além do seu plano abrangente incluirá a Orientação Médica às famílias, acesso a remédios mais baratos através de Convênios e apresentará um Plano Básico e Plano Top para adesão dos demais servidores da Autarquia que saíram ou nunca estiveram no Plano.


Na proposta de saneamento a direção da FASSINCRA não tem solução para trabalhar sem a participação da SALUTIS empresa especializada, com a qual está tendo um custo mensal em torno de R$ 300.000. No nosso entendimento para quem está na UTI o valor ajuda a tornar o remédio mais amargo.


Então, não resta nenhuma dúvida, MOBILIZAÇÃO NACIONAL dos servidores e familiares em favor de nossa segurança e tranquilidade, afinal de contas SAÚDE é o que interessa.


Jorge Furtado
FOCABRASIL


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ANS - A Porta Giratória das Operadoras

Da FOLHA
Por ELIO GASPARI

lula vai pro sus

Durante o tucanato o comissariado petista deitou e rolou denunciando a promiscuidade da banca com o Banco Central, tanto pela nomeação de banqueiros para sua diretoria como pela porta giratória.


Eles iam da banca para o BC e do BC para a banca.


Jogo jogado.


Seria o caso de se começar a discutir a promiscuidade que o petismo patrocina na Agência Nacional de Saúde Suplementar, que fiscaliza e fixa normas para o funcionamento dos planos privados.


Trata-se de um mercado que move R$ 93 bilhões, afeta a saúde física de 48 milhões de pessoas e está infestado por tamboretes e maus serviços.


No ano passado, as operadoras reconquistaram o primeiro lugar no ranking de reclamações da clientela.


Oito em dez fregueses queixavam-se delas.


De cada dois processos abertos na ANS, um tramita há mais de cinco anos.


Mauricio Ceschin, que presidiu a ANS de 2009 a 2012, vinha do grupo Qualicorp, que doou R$ 1 milhão para a campanha da doutora Dilma.


Leandro Tavares, cuja recondução para uma diretoria está sendo discutida no Senado, veio da operadora Amil.


Um diretor que veio dos quadros da Amil a ela retornou.


Outra, saiu da Amil, passou pela agência e hoje está na Unimed.


Um quadro da Hapvida que litigava contra a ANS se tornou seu diretor-adjunto.


Semelhante situação poderia refletir um clima de harmonia entre o poder público e a iniciativa privada.


Contudo, até hoje a ANS e o Ministério da Saúde não conseguiram criar mecanismos eficazes para cobrar dos planos privados as multas impostas às operadoras nem pelos serviços prestados pelo SUS aos seus clientes.


Esse é um problema antigo, mas a repórter Cassia Almeida expôs novos números.


Entre 2005 e 2010, aumentou em 60% o número de internações de clientes de operadoras privadas em hospitais do SUS. (Entre 2006 e 2012, as doações políticas das operadoras cresceram 37,2%, para R$ 8,6 milhões).


Em 2012, as internações foram 276.850, a um custo de R$ 537 milhões.


Se essas pessoas não tivessem planos privados também seriam internadas, porque esse é seu direito.


O problema é que elas pagaram aos planos e os planos nada pagaram à Viúva.


O doutor Ceschin chegou a dizer que, "se o ressarcimento chegar a R$ 100 milhões, não tem relevância na solução dos problemas da saúde pública."


Quando o governador Geraldo Alckmin queria sublocar leitos públicos para os planos de saúde, prometia arrecadar, só em São Paulo, R$ 468 milhões.


O comissariado não executa as cobranças nem discute a mudança das leis que inibem o ressarcimento.


Patrocina a pior das privatarias.


Fiscaliza mal planos financeiramente inviáveis que se estabelecem na esperança de mandar seus clientes para o SUS sempre que o tratamento for caro.


Assim, quanto mais a Viúva investe para melhorar a saúde pública, mais os espertalhões que vendem planos a R$ 160 mensais fazem o melhor negócio do mundo: embolsam por um serviço que não prestam e jamais pensaram em prestar.


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A Máfia dos Médicos

"A Máfia Médica" é o título do livro que custou à doutora Ghislaine Lanctot a sua expulsão do colégio de médicos e a retirada da sua licença para exercer medicina. Trata-se provavelmente da denuncia, publicada, mais completa, integral, explícita e clara do papel que forma, a nível mundial, o complot formado pelo Sistema Sanitário e pela Industria Farmacêutica.


O livro expõe, por um lado, a errônea concepção da saúde e da enfermidade, que tem a sociedade ocidental moderna, fomentada por esta máfia médica que monopolizou a saúde pública criando o mais lucrativo dos negócios.


Para além de falar sobre a verdadeira natureza das enfermidades, explica como as grandes empresas farmacêuticas controlam não só a investigação, mas também a docência médica, e como se criou um Sistema Sanitário baseado na enfermidade em vez da saúde, que cronifica enfermidades e mantém os cidadãos ignorantes e dependentes dele. O livro é pura artilharia pesada contra todos os medos e mentiras que destroem a nossa saúde e a nossa capacidade de auto-regulação natural, tornando-nos manipuláveis e completamente dependentes do sistema. A seguir, uma bela entrevista à autora, realizada por Laura Jimeno Muñoz para Discovery Salud:


MEDICINA SIGNIFICA NEGOCIO


A autora de A Máfia Médica acabou os seus estudos de Medicina em 1967, numa época em que -como ela mesma confessa – estava convencida de que a Medicina era extraordinária e, de que antes do final do séc. XX se teria o necessário para curar qualquer enfermidade. Só que essa primeira ilusão foi-se apagando até extinguir-se.


- Porquê essa decepção?


-Porque comecei a ver muitas coisas que me fizeram refletir. Por exemplo, que nem todas as pessoas respondiam aos maravilhosos tratamentos da medicina oficial.


Para além disso, naquela época entrei em contacto com várias terapias suaves – ou seja, praticantes de terapias não agressivas (em francês Médecine Douce) – que não tiveram problema algum em me abrir as suas consultas e em deixar-me ver o que faziam. Rapidamente concluí que as medicinas não agressivas são mais eficazes, mais baratas e, ainda por cima, têm menores efeitos secundários.


-E suponho que começou a perguntar-se por que é que na Faculdade ninguém lhe havia falado dessas terapias alternativas não agressivas?


-Assim foi. Logo a minha mente foi mais além e comecei a questionar-me como era possível que se chamassem charlatães a pessoas a quem eu própria tinha visto curar e porque eram perseguidas como se fossem bruxos ou delinquentes. Por outro lado, como médico tinha participado em muitos congressos internacionais - em alguns como oponente – e dei-me conta de que todas as apresentações e depoimentos que aparecem em tais eventos estão controladas e requerem, obrigatoriamente, ser primeiro aceites pelo comitê científico organizador do congresso.


- E quem designa esse comitê científico?


- Pois geralmente quem financia o evento: a indústria farmacêutica. Sim, hoje são as multinacionais quem decide, até o que se ensina aos futuros médicos nas faculdades e o que se publica e expõe nos congressos de medicina! O controlo é absoluto.


- E isso foi clarificador para si…?


-E muito! Dar-me conta do controle e da manipulação a que estão sujeitos os médicos – e os futuros médicos, ou sejam os estudantes – fez-me entender claramente que a Medicina é, antes de tudo, um negócio. A Medicina está hoje controlada pelos seguros-públicos ou privados, o que dá na mesma, porque enquanto alguém tem um seguro perde o controlo sobre o tipo de medicina a que acede. Já não pode escolher. E há mais, os seguros determinam inclusivamente o preço de cada tratamento e as terapias que se vão praticar. Esse olharmos para trás das companhias de seguros ou da segurança social… encontramos o mesmo.


- O poder econômico?


- Exato, é o dinheiro quem controla totalmente a Medicina. E a única coisa que de verdade interessa a quem maneja este negócio é ganhar dinheiro. E como ganhar mais? Claro, tornando as pessoas doentes…. porque as pessoas sãs, não geram ingressos. A estratégia consiste em suma, em ter enfermos crônicos que tenham que consumir o tipo de produtos paliativos, ou seja, para tratar só sintomas, medicamentos para aliviar a dor, baixar a febre, diminuir a inflamação. Mas, nunca fármacos que possam resolver uma doença. Isso não é rentável, não interessa. A medicina atual está concebida para que a gente permaneça enferma o maior tempo possível e compre fármacos; se possível, toda a vida.


UM SISTEMA DE ENFERMIDADE


-Deduzo que essa é a razão pela qual no seu livro se refere ao sistema sanitário como "sistema de enfermidade"


- Efetivamente. O chamado sistema sanitário é na realidade um sistema de enfermidade. Pratica-se uma medicina da enfermidade e não da saúde. Uma medicina que só reconhece a existência do corpo físico e não tem em conta nem o espírito, nem a mente, nem as emoções. E que para além disso, trata apenas o sintoma e não a causa do problema. Trata-se de um sistema que mantém o paciente na ignorância e na dependência, e a quem se estimula para que consuma fármacos de todo o tipo.


- Supõe-se que o sistema sanitário está ao serviço das pessoas!


- Está ao serviço de quem dele tira proveito: a indústria farmacêutica. De uma forma oficial – puramente ilusória – o sistema está ao serviço do paciente, mas oficiosamente, na realidade, o sistema está às ordens da indústria que é quem move os fios e mantém o sistema de enfermidade em seu próprio benefício. Em suma, trata-se de uma autêntica máfia médica, de um sistema que cria enfermidades e mata por dinheiro e por poder.


- E que papel desempenha o médico nessa máfia?


-O médico é – muitas vezes de uma forma inconsciente, é verdade – a correia de transmissão da grande indústria. Durante os 5 a 10 anos que passa na Faculdade de Medicina o sistema encarrega-se de lhe inculcar uns determinados conhecimentos e de lhe fechar os olhos para outras possibilidades. Posteriormente, nos hospitais e congressos médicos, é-lhe reforçada a ideia de que a função do médico é curar e salvar vidas, de que a enfermidade e a morte são fracassos que deve evitar a todo o custo e de que o ensinamento recebido é o único válido. E mais, ensina-se-lhes que o médico não deve implicar-se emocionalmente e que é um «deus» da saúde. Daí resulta que exista caça às bruxas entre os próprios profissionais da medicina. A medicina oficial, a científica, não pode permitir que existam outras formas de curar que não sejam servis ao sistema.


-O sistema, de fato, pretende fazer crer que a única medicina válida é a chamada medicina científica, a que você aprendeu e que renegou. Precisamente no mesmo número da revista em que vai aparecer a sua entrevista, publicamos um artigo a respeito.


-A medicina científica está enormemente limitada porque se baseia na física materialista de Newton: tal efeito obedece a tal causa. E, assim, tal sintoma precede a tal enfermidade e requer tal tratamento. Trata-se de uma medicina que ademais só reconhece o que se vê, se toca, ou se mede e nega toda a conexão entre as emoções, o pensamento, a consciência e o estado de saúde do físico. E quando a importunamos com algum problema desse tipo cola a etiqueta de enfermidade psicossomática ao paciente e envia-o para casa, receitando-lhe comprimidos para os nervos.


- É dizer, que no que lhe toca, a medicina convencional só se ocupa em fazer desaparecer os sintomas.


- Salvo no que se refere a cirurgia, os antibióticos e algumas poucas coisas mais, como os modernos meios de diagnóstico, sim. Dá a impressão de curar, mas não cura. Simplesmente elimina a manifestação do problema no corpo físico, mas este, cedo ou tarde, ressurge.


-Pensa que, dão melhor resultado as chamadas medicinas suaves ou não agressivas?


- São uma melhor opção porque tratam o paciente de uma forma holística e ajudam-no a curar… mas tão pouco curam. Olhe, qualquer das chamadas medicinas alternativas constituem uma boa ajuda, mas apenas isso: complementos! Porque o verdadeiro médico é o próprio. Quando está consciente da sua soberania sobre a saúde, deixa de necessitar de terapeutas. O enfermo é o único que pode curar-se. Nada pode fazê-lo em seu lugar. A autocura é a única medicina que cura. A questão é que o sistema trabalha para que esqueçamos a nossa condição de seres soberanos e nos convertamos em seres submissos e dependentes. Nas nossas mãos está pois, romper essa escravidão.


-E, na sua opinião, por que é que as autoridades políticas, médicas, mediáticas e econômicas o permitem? Porque os governos não acabam com este sistema de enfermidade, que por outro lado, é caríssimo?


- Acerca disso, tenho três hipóteses. A primeira é que talvez não saibam que tudo isto se passa… mas é difícil de aceitar porque a informação está ao seu alcance há muitos anos e nos últimos vinte anos foram já várias as publicações que denunciaram a corrupção do sistema e a conspiração existente. A segunda hipótese é que não podem acabar com ele… mas também resulta como difícil de acreditar porque os governos têm poder.


- E a terceira, suponho, é que não querem acabar com o sistema.


- Pois o certo é que, eliminadas as outras duas hipóteses, essa parece a mais plausível. E se um Governo se nega a acabar com um sistema que arruína e mata os seus cidadãos é porque faz parte dele, porque faz parte da máfia.


A MAFIA MÉDICA


-Quem, na sua opinião, integra a "máfia médica"?


- Em diferentes escalas e com distintas implicações, com certeza, a indústria farmacêutica, as autoridades políticas, os grandes laboratórios, os hospitais, as companhias seguradoras, as Agencias dos Medicamentos, as Ordens dos Médicos, os próprios médicos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) – o Ministério da Saúde da ONU- e, com certeza, o governo mundial na sombra do dinheiro.


- Entendemos que para si, a Organização Mundial da Saúde é "a máfia das máfias"?


- Assim é. Essa organização está completamente controlada pelo dinheiro. A OMS é a organização que estabelece, em nome da saúde, a "política de enfermidade" em todos os países. Todo o mundo tem que obedecer cegamente às diretrizes da OMS. Não há escapatória. De fato, desde 1977, com a Declaração de Alma Ata, nada pode escapar ao seu controle.


- Em que consiste essa declaração?


-Trata-se de uma declaração que dá à OMS os meios para estabelecer os critérios e normas internacionais da prática médica. Assim, foi retirada aos países a sua soberania em matéria de saúde para transferi-la para um governo mundial não eleito, cujo "ministério da saúde" é a OMS. Desde então, "direito à saúde" significa "direito à medicação". Foi assim que, impuseram as vacinas e os medicamentos, a toda a população do globo.


- Uma ação que não se questiona.


- Claro, porque, "quem vai ousar duvidar das boas intenções da Organização Mundial de Saúde?" Com certeza, há que perguntar quem controla, por sua vez essa organização através da ONU? O poder econômico!


- Crê que, nem sequer as organizações humanitárias escapam a esse controlo?


- Com certeza que não. As organizações humanitárias também dependem da ONU, ou seja, do dinheiro das subvenções. E portanto, as suas atividades estão igualmente controladas. Organizações como Médicos Sem Fronteiras acreditam que servem altruisticamente as pessoas, mas na realidade servem ao dinheiro.


- Uma máfia sumamente poderosa!


- Onipotente, diria eu. Eliminou toda a competência. Hoje em dia, "orientam-se" os investigadores. Os dissidentes são encarcerados, manietados e reduzidos ao silêncio. Aos médicos "alternativos" intitulam-nos de loucos, retiram-lhes a licença, ou encarceram-nos, também. Os produtos alternativos rentáveis caíram igualmente nas mãos das multinacionais graças às normativas da OMS e às patentes da Organização Mundial do Comércio. As autoridades e os seus meios de comunicação social ocupam-se a alimentarem, entre a população, o medo da enfermidade, da velhice e da morte. De fato, a obsessão por viver mais ou, simplesmente, por sobreviver, fez prosperar inclusivamente o tráfico internacional de órgãos, sangue e embriões humanos. E em muitas clínicas de fertilização, na realidade "fabricam-se" uma multitude de embriões, que logo se armazenam para serem utilizados em cosmética, em tratamentos rejuvenescedores, etc. Isso sem contar com o que se irradiam os alimentos, se modificam os genes, a água está contaminada, o ar envenenado. E mais, as crianças recebem, absurdamente, até 35 vacinas antes de irem para a escola. E assim, cada membro da família tem já o seu comprimido: o pai, o Viagra; a mãe, o Prozac; o filho, o Ritalin. E tudo isto para quê? Porque o resultado é conhecido: os custos sanitários sobem e sobem, mas as pessoas continuam adoecendo e morrendo da mesma forma.


AS AUTORIDADES MENTEM


-O que explica do sistema sanitário imperante é uma realidade que cada vez mais gente começa a conhecer, mas surpreenderam-nos alguns das suas afirmações a respeito do que define como "as três grandes mentiras das autoridades políticas e sanitárias".


- Pois reitero-o: as autoridades mentem quando dizem que as vacinas nos protegem, mentem quando dizem que a sida é contagiosa e mentem quando dizem que o câncer é um mistério.


- Bem, falaremos disso ainda que, já lhe adianto, na revista não compartilhamos alguns dos seus pontos de vista. Se lhe parece bem, podemos começar por falar das vacinas. Na nossa opinião, a sua afirmação de que nenhuma vacina é útil, não se sustém.


Uma coisa com que concordamos, é que algumas são ineficazes e outras inúteis; às vezes, até perigosas.


- Pois eu mantenho todas as minhas afirmações. A única imunidade autêntica é a natural e essa desenvolve-a 90% da população, antes dos 15 anos. E mais, as vacinas artificiais curto-circuitam por completo o desenvolvimento das primeiras defesas do organismo. E que as vacinas têm riscos, é algo muito evidente; apesar de se ocultar.


Por exemplo, uma vacina pode provocar a mesma enfermidade para que se destina. Porque não se adverte? Também se oculta que a pessoa vacinada pode transmitir a enfermidade ainda que não esteja enferma. Assim mesmo, não se diz que a vacina pode sensibilizar a pessoa perante a enfermidade. Ainda que o mais grave seja que se oculte a inutilidade, constatada, de certas vacinas.


- A quais se refere?


- Às das enfermidades como a tuberculose e o tétano, vacinas que não conferem nenhuma imunidade; a rubéola, de que 90% das mulheres estão protegidas de modo natural; a difteria, que durante as maiores epidemias só alcançava a 7% das crianças apesar disso, hoje, vacina todos; a gripe, a hepatite B, cujos vírus se fazem rapidamente resistentes aos anti-corpos das vacinas.


- E até que ponto podem ser também perigosas?


- As inumeráveis complicações que causam as vacinas – desde transtornos menores até à morte – estão suficientemente documentadas; por exemplo, a morte súbita do lactante. Por isso há já numerosos protestos de especialistas na matéria e são inúmeras as demandas judiciais que foram interpostas contra os fabricantes. Por outra parte, quando se examinam as consequências dos programas de vacinações massivas extraem-se conclusões esclarecedoras.


- Agradeceria que mencionasse algumas


- Olhe, em primeiro lugar as vacinas são caras e constituem para o Estado um gasto de mil milhões de euros ao ano. Portanto, o único benefício evidente e seguro das vacinas… é o que obtém a indústria. Além disso, a vacinação estimula o sistema imunitário, mas repetida a vacinação o sistema esgota-se. Portanto, a vacina repetida pode fazer, por exemplo, estalar a "sida silenciosa" e garantir um "mercado da enfermidade", perpetuamente florescente. Mais dados: a vacinação incita à dependência médica e reforça a crença de que o nosso sistema imune é ineficaz. Ainda o mais horrível é que a vacinação facilita os genocídios seletivos, pois permite liquidar pessoas de certa raça, de certo grupo, de certa região… Serve como experimentação para testar novos produtos sobre um amplo mostruário da população e uma arma biológica potentíssima ao serviço da guerra biológica porque permite interferir no patrimônio genético hereditário de quem se queira.


-Bom, é evidente que há muitas coisas das quais se pode fazer um bom ou mau uso mas isso depende da vontade e intenção de quem as utiliza. Bem, falemos se lhe parece, da segunda grande mentira das autoridades: você afirma que a Sida não é contagiosa. Perdoe-me, mas assim como o resto das suas afirmações nos pareceram pensadas e razoáveis, neste âmbito não temos visto que argumente essa afirmação.


- Eu afirmo que a teoria de que o único causador da sida é o VIH o Vírus da Imunodeficiência Adquirida é falsa. Essa é a grande mentira. A verdade é que ter o VIH não implica necessariamente desenvolver sida. Porque a sida não é senão uma etiqueta que se "coloca" num estado de saúde a que dão lugar numerosas patologias quando o sistema imunitário está em baixo. E nego que ter sida equivalha a morte segura. Mas, claro, essa verdade não interessa. As autoridades impõem-nos à força a ideia de que a Sida é uma enfermidade causada por um só vírus apesar de o próprio Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, co-descobridor oficial do VIH em1983, ter reconhecido já em 1990, que o VIH não é suficiente por si só para causar a sida. Outra evidência é o fato de que há numerosos casos de sida, sem vírus VIH e numerosos casos de vírus VIH, sem sida (seropositivos). Por outro lado, ainda não se conseguiu demonstrar que o vírus VIH cause a sida, e a demonstração é uma regra científica elementar para estabelecer uma relação causa-efeito, entre dois fatores. O que se sabe, sem dúvida, é que o VIH é um retrovirus inofensivo que só se ativa quando o sistema imunitário está debilitado.


- Você afirma no seu livro que o VIH foi criado artificialmente num laboratório


- Sim. Investigações de eminentes médicos indicam que o VIH foi criado enquanto se faziam ensaios de vacinação contra a hepatite B em grupos de homossexuais. E tudo indica que o continente africano foi contaminado do mesmo modo durante campanhas de vacinação contra a varíola. Claro que outros investigadores vão mais longe ainda e afirmam que o vírus da sida foi cultivado como arma biológica e depois deliberadamente propagado mediante a vacinação de grupos de população que se queriam exterminar.


-Também observamos que ataca duramente a utilização do AZT para tratar a sida


- Já no Congresso sobre SIDA celebrado em Copenhague em Maio de 1992 os superviventes da sida afirmaram que a solução então proposta pela medicina científica para combater o VIH, o AZT, era absolutamente ineficaz. Hoje isso está fora de qualquer dúvida. Pois bem, eu afirmo que se pode sobreviver à sida… mas não ao AZT. Este medicamento é mais mortal que a sida. O simples senso comum permite entender que não é com fármacos imuno-depressores que se reforça o sistema imunitário. Olhe, a sida converteu-se noutro grande negócio. Por isso, promociona-se amplamente combatê-lo, porque ele dá muito dinheiro à industria farmacêutica. É tão simples quanto isto.


-Falemos da "terceira grande mentira" das autoridades: a de que o câncer é um mistério


-O chamado câncer, ou seja, a massiva proliferação anômala de células, é algo tão habitual que todos o padecemos varias vezes ao longo da nossa vida. Só que quando isso sucede, o sistema imunitário atua e destrói as células cancerígenas. O problema surge quando o nosso sistema imunitário está débil e não pode eliminá-las. Então o conjunto de células cancerosas acaba crescendo e formando um tumor.


- E é nesse momento quando se entra na engrenagem do "sistema de enfermidade"


- Assim é. Porque quando se descobre um tumor se oferece de imediato ao paciente, com o pretexto de ajudá-lo, que escolha entre estas três possibilidades ou "formas de tortura": amputá-lo (cirurgia), queimá-lo (radioterapia) ou envenena-lo (quimioterapia). Escondendo-se-lhe, que existem remédios alternativos eficazes, inócuos e baratos. E depois de quatro décadas de "luta intensiva" contra o câncer, qual é a situação nos próprios países industrializados? Que a taxa de mortalidade, por câncer, aumentou. Esse simples fato põe em evidência o fracasso da sua prevenção e do seu tratamento. Desperdiçaram-se milhares de milhões de euros e tanto o número de doentes, como o de mortos, contínua crescendo. Hoje sabemos a quem beneficia esta situação. Como sabemos quem a criou e quem a sustem. No caso da guerra, todos sabemos que esta beneficia sobretudo aos fabricantes e traficantes de armas. Bom, pois em medicina quem se beneficia são os fabricantes e traficantes do "armamento contra o câncer" ou seja, quem está detrás da quimioterapia, da radioterapia, da cirurgia e de toda a industria hospitalar.


A MAFIA, UMA NECESSIDADE EVOLUTIVA


– No entanto, apesar de tudo, mantém que a máfia médica é uma necessidade evolutiva da humanidade. Que quer dizer com essa afirmação?


- Verá, pense num peixe comodamente instalado no seu aquário. Enquanto tem água e comida, tudo está bem mas se lhe começa a faltar o alimento e o nível da água desce perigosamente o peixe decidirá saltar para fora do aquário buscando uma forma de se salvar. Bom, pois eu entendo que a máfia médica nos pode empurrar a dar esse salto individualmente. Isso, se houver muita gente que prefira morrer a saltar.


- Mas para dar esse salto é preciso um nível de consciência determinado


- Sim. E eu creio que se está elevando muito e muito rapidamente. A informação que antes se ocultava agora é pública: que a medicina mata pessoas, que os medicamentos nos envenenam, etc. Ademais, o médico alemão Ryke Geerd Hamer demonstrou que todas as enfermidades são psicossomáticas e as medicinas não agressivas ganham popularidade. A máfia médica desmoronar-se-á como um castelo de naipes quando 5% da população perder a sua confiança nela. Basta que essa percentagem da população mundial seja consciente e conectado com a sua própria divindade. Então decidirá escapar à escravatura a que tem sido submetida pela máfia e o sistema atual derrubará. Tão simples como isto.


- E em que ponto crê que estamos?


- Não sei quantificá-lo, mas penso que provavelmente em menos de 5 anos todo o mundo se dará conta de que quando vai ao médico vai a um especialista da enfermidade e não a um especialista da saúde. Deixar de lado a chamada "medicina científica" e a segurança que oferece, para ir a um terapeuta é já um passo importante. Também o é perder o respeito e a obediência cega ao médico. O grande passo é dizer não à autoridade exterior e dizer sim à nossa autoridade interior.


- E o que é que nos impede de romper com a autoridade exterior?


- O medo. Temos medo de não chamar o médico. Mas é o medo, por si próprio, quem nos pode enfermar e matar. Nós morremos de medo. Esquecermo-nos que a natureza humana é divina, o que quer dizer, concebida para nos comportarmos como deuses. E desde quando os deuses têm medo? Cada vez que nos comportamos de maneira diferente da de um deus pomo-nos enfermos. Essa é a realidade.


- E o que podem fazer os meios de comunicação para contribuir para a elevação da consciência nesta matéria?


- Informar sem tentar convencer. Dizer o que sabeis e deixar às pessoas fazer o que queiram com a informação. Porque intentar convencê-las será impor outra verdade e de novo estaríamos noutra guerra. Necessita-se apenas dar referencia. Basta dizer as coisas. Logo, as pessoas as escutarão, se ressoarem nelas. E, se o seu medo for maior do que o seu amor por si mesmos, dirão: "Isso é impossível". Se pelo contrário têm aberto o coração, escutarão e questionarão as suas convicções. É então, nesse momento, quando quiserem saber mais, que se lhes poderá dar mais informação.


Laura Jimeno Muñoz


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Os Bilionários e a Fila Indecente

Como o urologista Miguel Srougi convenceu donos de grandes fortunas a melhorar a vida de quem usa o SUS
CRISTIANE SEGATTO


Não é preciso ir muito longe para ter uma amostra das injustiças que caracterizam o sistema de saúde brasileiro. Basta caminhar pelos arredores do Hospital das Clínicas, a poucos quilômetros da Avenida Paulista, o coração financeiro da cidade. Milhares de doentes e familiares vêm de longe (da periferia, de outras cidades, de outros estados) em busca de algo que se tornou um privilégio: uma consulta com um especialista, um exame, uma cirurgia.


A multidão chega como pode – de metrô, de ônibus, em vans improvisadas, em ambulâncias despedaçadas com placa de cidades distantes. Chega de longe e chega com fome. Quem pode compra um café com leite de garrafa térmica ou um pedaço de bolo caseiro oferecido pelos ambulantes. As calçadas ficam tomadas de doentes que se arrastam em muletas ou cadeiras de rodas, gente que pede esmola, gente que perdeu a esperança.


Entra governo e sai governo e a cena não muda. Na quarta-feira (5), um movimento estranho quebrou a rotina. Uma revoada de carros importados e seguranças particulares ocuparam o pátio em frente ao Instituto Central, do Hospital das Clínicas. Os donos de algumas das maiores fortunas do país se encontraram para a inauguração de uma ala do departamento de urologia. Destinada exclusivamente a mulheres e crianças atendidas pelo SUS, o setor foi reformado e equipado com R$ 13 milhões doados pela iniciativa privada.


Quem pediu dinheiro aos empresários para melhorar a vida de quem depende do SUS foi o urologista Miguel Srougi, professor titular da Faculdade de Medicina da USP. No consultório particular, ele cuida da saúde da maioria dos 19 beneméritos, entre eles Lázaro de Mello Brandão (Bradesco), Joseph e Moise Safra, Aloysio Faria (Banco Alfa), Fabio Ermirio de Moraes (Grupo Votorantim), Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan), Eduardo de Souza Ramos (Mitsubishi Motors), entre outros.


Na cerimônia, Souza Ramos falou em nome dos beneméritos. Recentemente, ele enfrentou a tensão de descobrir um tumor – que mais tarde se revelaria benigno. "Se ficamos assustados quando ligamos para o médico e ele não atende o celular, imagine o que as pessoas sentem quando percebem que não terão atendimento porque a fila não anda", disse.

hospital de clinicas

A ala está sendo considerada uma das mais avançadas dentro da rede pública brasileira. As salas cirúrgicas estão equipadas com mesas acopladas a aparelhos de raios-X, microscópicos cirúrgicos, aparelhos de radiofrequência para destruição de tumores e crioterapia. Há também lasers para tratamento de cálculos e instrumentos, como o bisturi, que podem ser acionados por comando de voz. Além de instalações para cirurgia robótica e simuladores para o treinamento dos novos cirurgiões. O setor infantil recebeu decoração de animais dos diferentes continentes e uma brinquedoteca completa – equipada até com navio pirata.


Não é a primeira vez que Miguel Srougi pede doações aos pacientes para melhorar serviços públicos. Desde 1998, ele usou esse expediente para reformar alojamentos de estudantes de medicina, reconstruir alas de hospitais, pintar escola pública etc. Em 2012, ele foi eleito por ÉPOCA como uma das 100 personalidades mais influentes do ano. Ao final da cerimônia, conversamos sobre saúde pública, governo Dilma, a polêmica da importação de médicos, entre outros assuntos.


ÉPOCA – Por que o sr. diz que o médico é um privilegiado?
Miguel Srougi – Somos privilegiados pelas relações que podemos construir. A relação médico-paciente é uma das mais fortes que existem. Mais forte que ela, só as relações familiares. O paciente vem ao consultório e abre seu coração, conta os segredos mais íntimos. Criamos um vínculo. Quando o paciente se sente bem atendido, ele passa a ver o médico com um simbolismo sem paralelo. Para essa pessoa, o médico se torna quase um Deus.


ÉPOCA – O problema é quando o médico acredita mesmo que é Deus, não é?
Srougi – São dois problemas: um deles é o médico achar que é Deus. O outro problema é o médico não perceber que pode usar essa relação privilegiada para ser feliz.


ÉPOCA – Como assim?
Srougi – Ações como essa que estamos inaugurando são inebriantes para mim. Elas me conduzem a uma extrema felicidade. Usufruo dessa felicidade. Faço essas coisas para ser feliz. É um pouco de egoísmo.


ÉPOCA – Que estratégia o sr. usou para reunir essas doações? Ligou para os empresários e simplesmente pediu dinheiro?
Srougi – Preparamos um calhamaço com detalhes do projeto (orçamentos, objetivos etc.) e enviamos para cada um deles. Quando telefonei para avisar que receberiam o material, muitos disseram que fariam doações sem sequer olhar o projeto. Visitei pessoalmente apenas dois dos beneméritos porque eram empresários com os quais minha relação não era muito próxima. No total, reunimos R$ 13 milhões.


ÉPOCA – Eles podem abater as doações do imposto de renda? Funciona mais ou menos como a Lei Rouanet?
Srougi – Alguns abatem. Outros não abatem porque as doações que eles fazem a vários projetos (não só aos nossos) superam o limite que pode ser abatido legalmente. É fundamental que os mais privilegiados se mobilizem e tentem melhorar o seu microentorno. Se cada um fizer o que está ao seu alcance, teremos um país melhor.


ÉPOCA – No Exterior, donos de grandes fortunas costumam fazer doações expressivas. Por que não temos essa tradição no Brasil?
Srougi – Na Europa e nos Estados Unidos, muitas personalidades são modelos de comportamento. O Brasil tem carência desses modelos. Aqui todo mundo quer levar vantagem. A sociedade é condescendente com desvios. Nessa minha experiência, observo que muitos empresários querem fazer doações. Muitos se sentem honrados por poder retribuir à sociedade os privilégios que tiveram.


ÉPOCA – Eles poderiam doar mais do que doam hoje?
Srougi – Muita gente pede dinheiro aos empresários. Percebo que eles não doam quando percebem que o intuito dos projetos é tirar algum proveito próprio. Essas ações só dão certo se forem baseadas na credibilidade.


ÉPOCA – A desigualdade social brasileira se expressa de forma clara nas dificuldades de acesso ao sistema de saúde. Por que os governos falham?
Srougi – Temos dois Brasis. Um Brasil instruído que usufrui de todos os privilégios e o outro Brasil. Sozinhos, os governos não têm condição de aliviar a desigualdade social. A presidente Dilma era bem intencionada, mas o governo está piorando cada vez mais. A saúde é uma tragédia. A educação é uma tragédia. As escolas estão desaparelhadas. A infraestrutura do Brasil arrebentou. As exportações caíram. O PIB está caindo. PIB caindo significa desemprego no futuro. Os brasileiros estão endividados. Os governos erram por falta de visão. Eles tomam medidas pontuais pensando apenas nas eleições. O Bolsa Família tem mérito, mas é insuficiente para mudar o Brasil. O Ministério da Saúde está abarrotado de postos políticos. A presidente Dilma é digna e competente, mas está encurralada. O único jeito de o Brasil começar a mudar é o pessoal do "andar de cima", como diz o jornalista Elio Gaspari, começar a se indignar. O "andar de cima" vive assustado e recluso numa sociedade violenta. Ele precisa tomar atitudes proativas, como essa que estamos vendo aqui.


ÉPOCA – Qual é o tamanho da fila de espera por atendimento na urologia?
Srougi – Hoje a fila para conseguir uma cirurgia urológica é de 1,2 mil pacientes. Duzentos estão na fila e têm câncer. Sabemos que 75% dos pacientes nunca conseguirão ser internados. Vão morrer pelo caminho. É uma fila indecente. Uma vergonha para quem exerce a medicina. Com a nova ala, vamos conseguir fazer 1,5 mil cirurgias a mais por ano. Não vamos zerar a fila, mas ela vai andar mais rápido.


ÉPOCA – Quais são os outros objetivos do projeto?
Srougi – Um dos principais é a humanização. Aqui o doente se sente valorizado. A existência dele é respeitada. Sente que tem um espaço neste planeta. Cada pedacinho desta nova ala foi criado para amenizar o sofrimento. O paciente tem um sofrimento físico e um sofrimento de alma. Tem medo de morrer, medo de deixar a família. Ela é ciência e humanismo. As novas gerações usam os velhos professores como exemplo. O espírito que levou à criação dessa nova ala é a certeza de que a medicina não é só tecnologia. Precisamos impregnar as novas gerações com sentimentos de solidariedade. Torná-las capaz de compreender os assombros dos pacientes em relação à doença e à morte. Outro objetivo é a formação técnica dos médicos, que agora poderão aprender num centro de alta tecnologia mais bem equipado do que tínhamos antes. No Hospital das Clínicas são treinados quatro mil médicos por ano. São os novos profissionais que depois vão se espalhar pelo Brasil.


ÉPOCA – Por falar nisso, faltam médicos no país? Qual é a sua opinião sobre a polêmica em torno da importação de médicos?
Srougi – Recentemente uma pesquisa realizada numa cidade do interior de São Paulo revelou que a principal aspiração da população era poder conversar com um médico. Um sistema de saúde que não consegue oferecer isso é uma barbaridade. Muitas cidades não têm médico. A população precisa se deslocar a municípios vizinhos. Seria bom poder colocar médicos nessas cidades. O problema da contratação de estrangeiros é que é uma falácia motivada por motivos políticos. O que interessa é apenas ganhar as eleições. Como os médicos, brasileiros ou estrangeiros, conseguirão trabalhar em lugares sem condição de oferecer sequer um exame de raios-X? Duvido que um médico estrangeiro enviado para um lugar distante aceite viver lá por muito tempo. Ele vai deixar o filho sem instrução? A mulher não vai querer viver num ambiente onde também possa crescer profissionalmente? Ele próprio não terá expectativas de desenvolvimento profissional e intelectual? A questão não é a nacionalidade do médico, é a falta de condições de trabalho. Essa polêmica é puro engodo.


E você? O que acha da iniciativa? Os donos de grandes fortunas devem contribuir para melhorar o SUS? Como avalia o atendimento de saúde – público ou privado -- no Brasil? Conte pra gente. Queremos ouvir sua opinião. (Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras)


CRISTIANE SEGATTO Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 17 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais e internacionais de jornalismo.
Entre em contato: Email:cristianes@edglobo.com.br
Twitter: @crissegatto


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Por que médicos cubanos assustam

Pedro Porfírio

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A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.


Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.


A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata "expulsão" dos médicos cubanos.


No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste.


Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.


E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.


Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.


Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.


Sem compromisso em retribuir os cursos públicos


Há no Brasil uma grande "injustiça orçamentária": a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.


Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792.000,00 reais para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais. Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.


Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.


Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades


Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.


Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.


A pesquisa "Demografia Médica no Brasil" revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.


Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536.Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.


A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.


A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.


Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia


Em sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.


Não é isso que consta dos números da Organização Mundial de Saúde. Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil. Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas.


Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuídos por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação melhor dotada do mundo neste setor. Segundo a New England Journal of Medicine, "o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA".


O Brasil forma 13 mil médicos por ano em 200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.


Formando médicos de 69 países


Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.


Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.


Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Escola Latino-Americana de Medicina. As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.


Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue. Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.


Presença de médicos cubanos no exterior


Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.


No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.


No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.


Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o CFM adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.


O VIOMUNDO
SOBRE A VINDA DOS 6.000 MÉDICOS CUBANOS

Por Pedro Saraiva, no blog do Nassif

médica cubana

Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil. Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.


– O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Antônio Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.


– Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.


– Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato).


A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.


– Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiros tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade.


Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros?


Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China?


O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros?


– Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ.


Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação.


Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram.


Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provas. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado. Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil.


– Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra.


Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? Vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil.


– É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico.


Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226).


– Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).


– Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!


Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreira, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.


Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.


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Demografia Médica no Brasil

A um passo de ter 400 mil médicos, o Brasil atinge taxa de 2 profissionais por grupo de 1.000 habitantes.


Nos últimos 42 anos, o total de médicos no país cresceu 557,7% enquanto que a população em geral aumentou 101,8%; a razão médico/habitante também apresentou crescimento significativo.


Entre 1970, quando havia 58.994 profissionais, e o último trimestre de 2012, o número de médicos saltou 557,72%. O percentual é quase seis vezes maior que o do crescimento da população, que em cinco décadas aumentou 101,84% (Gráfico 1). O país nunca teve tantos médicos em atividade, devido a uma combinação de fatores: mantém-se forte a taxa de crescimento do número de profissionais mais rápido que o da população, houve abertura de muitos cursos de medicina, com aumento de novos registros (mais de 4% ao ano), mais entradas que saídas de profissionais do mercado de trabalho, perfil jovem da categoria (baixa média de idade), além de maior longevidade profissional (alta média de anos trabalhados).


Gráfico 1

grafico

A perspectiva atual é de manutenção dessa curva ascendente. Enquanto a taxa de crescimento populacional reduz sua velocidade, a abertura de escolas médicas e de vagas em cursos já existentes vive um novo boom, o que sugere aumento significativo no volume de médicos a cada ano. Entre outubro de 2011 e outubro de 2012, foram contabilizados 16.227 novos registros profissionais.


Da mesma forma, houve aumento da razão de médicos por habitante. Em 1980, havia 1,15 médico para cada grupo de 1.000 habitantes no país. Essa razão sobe para 1,48, em 1990; para 1,72, no ano de 2000; atinge 1,91; em 2010; e chega a 1,95 médico por 1.000 habitantes no ano seguinte. O mais recente levantamento mostra que essa razão, em 2012, já é de 2/1.000. Desde 1980 (ao longo de 32 anos), houve um aumento de 74% na razão médico habitante (Gráfico 2).


Gráfico 2

grafico

É possível observar ainda que desde 1940, o segmento dos médicos tem mantido uma linha de crescimento continua e bem superior ao do restante da população. Isso fica evidente na análise dos números absolutos. Em três décadas - entre 1940 e 1970 -, enquanto a população cresceu 129,18%, o número de médicos passou de 20.745 para 58.994, aumento de 184,38%. Nos trinta anos que se seguiram (de 1970 a 2000), o total de médicos chegou a 291.926, um salto de 394,84%, contra um crescimento populacional de 79,44%. Nos últimos dez anos, até 2010, o efetivo de médicos chegou a 364.757, subindo 24,95% em uma década, contra um aumento populacional de 12,48%.


Um olhar mais aguçado permite ver como estes dados se comportam ano a ano. Por exemplo, em 1982, o crescimento anual do total de médicos foi de 5,9%, enquanto o da população geral ficou em 2,2%, ou seja, quase três vezes superior ao de habitantes. Em 2010, a taxa de crescimento dos médicos alcançou 1,6%, enquanto o da população em geral foi de 0,9% (diferença de 77,8% a mais para o grupo de profissionais).


Mais sete mil médicos a cada ano – Outro fator que contribui para o crescimento do número de médicos, segundo o estudo, é a diferença entre os novos registros de médicos e aqueles que saem, por aposentadoria, óbito e outros motivos, resultando em um crescimento natural dessa população no país. A diferença entre saída e a entrada forma um contingente de profissionais entre 6 e 8 mil novos médicos a cada ano (Tabela 1).


O comportamento registrado no Brasil difere do de outras regiões do planeta. Na Europa, o número de médicos que se retiram do exercício profissional é maior por conta da faixa etária mais elevada dos médicos e da tendência de se optar por uma aposentadoria precoce. No Brasil, o grupo de médicos de até 39 anos representa 40,59% do total de profissionais na ativa, indicando uma concentração nas faixas mais jovens – o que sugere um tempo maior de permanência no exercício da profissão.


Tabela 1

tabela

Acesse a íntegra da Pesquisa Demografia Médica no Brasil Vol. 2 em PDF:
http://portal.cfm.org.br/images/stories/pdf/demografiamedicanobrasil_vol2.pdf


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Revalida - A Medicina colocada em exame


Há 15 dias publicamos no site uma matéria sobre o REVALIDA – Exame dos médicos formados no exterior.


Não publicamos o artigo por concordar com ele, mas por achar o tema interessante, cuja reflexão é necessária. E acertamos, pois o artigo foi objeto de muitas manifestações.


Pensamos em publicar todas as manifestações, como de fato vamos publicá-las ipsis litteris, mas isso seria pouco.


Resolvemos nos manifestar.


Sou Engenheiro Agrônomo, não sou médico. Talvez tenha mais propriedade para falar sobre o assunto que um médico, visto a isenção de um mero usuário desses serviços, desprovido de corporativismo ou qualquer tipo de interesse.


Há três explicações básicas:

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Sou autor do artigo publicado neste site, intitulado – Exame da Ordem. http://www.focabrasil.com.br/educacao-materias.html#exame.


Por incrível que pareça me inspirei no programa BBB – um festival de inutilidades, mas vejam só de onde partiu a ideia:

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Até então eu considerava duas profissões que passavam por uma avaliação depois de formado, mas a medicina vai mais além. Como disse um dos manifestantes de nossa publicação – Pablo Pereira – “O Brasil não pode defender uma pessoa de uma possível ameaça externa e permitir que outra pessoa só porque formou aqui no Brasil cometa o crime. Então o que temos que fazer, proteger de todos sem exceção.”


A sociedade brasileira cansou e não acredita mais nos políticos brasileiros e eu também, mais vou iniciar meu ponto de vista diante da manifestação de um político, ele que o diga se quiser da sua honestidade e compromisso com a causa.

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Vejam, só nessa área apareceu um deputado a se manifestar fora do contexto do Congresso Nacional com bastante coerência, mas no artigo do EXAME DA ORDEM falei da posição do então Senador Gilvan Borges (PMDB-AP) e do Deputado Federal Lino Rossi (PP-MT) apresentaram Projeto de Lei extinguindo o Exame, defendendo que todos os formados têm direito de exercer a profissão.


Afirmei ali que a motivação do Senador e do Deputado mencionados era, por certo, eleitoreira. Do Senador já comprovei, ele tinha uma assessora bacharel que não passou no Exame da Ordem, por isso é bem provável a defesa da abolição desse instrumento de seleção para quem tem competência para exercer a profissão. Ele não me espanta com a iniciativa. Ele é um político. E o político brasileiro é isso. Pouco importa o povo que o elegeu.


Concluo aquele meu artigo com esta manifestação:

revalida

Não citei aqui a medicina, por achar que a passagem pela Residência seria equivalente.


Depois das manifestações da outra parte, se assim podemos chamar aqueles que se formaram no exterior, há necessidade de uma nova ordem no processo.


Medicina é uma exceção nas profissões. É a única formação que mexe com vida animal que raciocina por isso uma necessidade de tratamento especial e rigoroso.


O Sr. Pablo Pereira me chamou atenção com a seguinte colocação:

revalida

Minha filha, sim, foi tratada por um especialista, motivo que me leva a uma reflexão de classe e de oportunidade para a população e não para mim em particular.


Não tenho duvida que a questão da medicina tenha que ser tratada no nível de todas as outras categorias, ou seja, na base técnica de formação, no caso de clínica geral. Assim como todas as outras profissões. Com a experiência adquirida vão se especializando e colocando no mercado médicos mais habilitados para assistir a quem precisa desse serviço, pois todo paciente vai a procura de tratamento para ficar bom e não para correr risco.


Há necessidade de por na pauta de discussão em todos os setores representativos da sociedade esta questão, pois as cidades mais afastadas, as ditas do interior, estão carentes de médicos e não podem ficar privadas desse serviço por mais tempo em face de disputa interna de categoria.


Na área rural há legislação específica sobre aquisição de áreas por estrangeiros, o que é interessante para evitar que cidadãos de outros países venham para o Brasil e compram terras sem nenhum critério. No caso do profissional de medicina há uma grande diferença, pois não estamos falando de estrangeiros disputando espaço, mas de brasileiros formados aqui ou no exterior. No envolvimento com o tema não vejo ideia melhor do que a que está sendo posta: O Exame Único Nacional. Quem tem conhecimento e capacidade vai passar independente de ter-se formado aqui ou lá fora. No caso da medicina não pode haver reserva de mercado, pois são vidas que precisam ser assistidas, então quanto mais competência, experiência e especialização, melhor para a população.


O foco tem que ser a população e não os interesses corporativos.


Reafirmo o constante do artigo do Exame da Ordem, sobre a necessidade de se estender o exame profissional para todas as outras categorias e, com um zelo maior e até diferenciado, o Exame para os Médicos, pois quanto mais competência melhor. As pessoas se sentem mais seguras quando se tratam com médicos competentes. Depositam neles a cura de suas doenças.


Concluo o artigo com este posicionamento, feito dentre vários que foram apresentados, para que se inicie uma ampla discussão com mais responsabilidade e visando, sobretudo, o interesse da POPULAÇÃO.

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Jorge Furtado
FOCABRASIL


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Governo quer desfigurar o Revalida. Melhor seria se ampliá-lo

Governo tem plano para flexibilizar exame que avalia médicos formados fora do Brasil. Saiba por que isso é uma ameaça à saúde pública.

Guilherme Rosa
Somente 12% dos estudantes passaram no teste em 2011 (Thinkstock)


As principais entidades ligadas à área da medicina no Brasil assinaram, em abril, uma carta favorável à manutenção do Revalida, prova aplicada pelo governo para autorizar os médicos formados no exterior a atuarem no Brasil. Assinaram o documento entidades como o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a Associação Paulista de Medicina (APM) e diversas faculdades de medicina, entre elas USP e a Unicamp. A carta foi escrita depois que correntes dentro do Governo Federal, a pedido da presidente Dilma Rousseff, começaram a trabalhar veladamente para flexibilizar a exigência da prova, com a intenção de facilitar a entrada desses profissionais e aumentar o número de médicos no país.


Uma das propostas que está sendo analisada pelos Ministérios da Saúde e da Educação é dispensar o candidato de fazer o exame, desde que ele cumpra dois anos de trabalho no SUS. A ideia, boa em princípio, é uma temeridade. Com a declarada intenção de ajudar regiões com poucos médicos, na prática ela acabaria colocando profissionais sem treinamento adequado para atender a população mais carente. As entidades médicas encaram, com razão, a possibilidade como uma ameaça à saúde pública. "Isso é colocar o povo em risco, deixá-lo sujeito à tragédia do erro médico. Somos favoráveis ao Revalida como é feito hoje", diz Florisval Meinão, presidente da APM.


Antes do Revalida, as provas para revalidação de diploma podiam ser realizadas por qualquer universidade pública, o que causava grandes problemas. Além do fato de algumas faculdades ficarem anos sem fazer as provas, cada instituição adotava critérios diferentes, levando a exames com graus de dificuldade díspares. Desde 2010, o governo unificou todo o processo. Uma única prova é feita anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e aplicada em 37 universidades públicas.


No ano passado, o resultado da prova mostrou o quanto o Revalida é necessário: dos 677 inscritos, só 65 foram aprovados. Os outros 612 não apresentaram as condições mínimas para exercer a medicina no Brasil. Em 2010, o resultado foi ainda pior: dos 507 inscritos, apenas dois passaram. "A prova é muito básica. Ela cobra conhecimentos que todo médico precisa ter se quiser atender a população, como reconhecer uma pneumonia ou tratar uma diarreia", diz Renato Azevedo Junior, presidente do Cremesp. Segundo o médico, colocar um desses profissionais reprovados para trabalhar no SUS não vai ajudar a solucionar a crise da saúde pública no Brasil, mas sim provocar mais problemas.


A gaúcha Aline Vidal de Almeida, de 26 anos, se formou em medicina no Instituto Universitario de Ciencias de la Salud Fundación Barceló, na Argentina. Ela prestou o Revalida no ano passado, mas não foi aprovada. Mesmo assim, diz que a prova não foi difícil. "Ela não era impossível como todo mundo fala. Mas eu tive dificuldades nas partes referentes a epidemiologia e saúde pública", afirma. Isso se deve ao fato de que as doenças e os protocolos médicos que mais estudou durante a faculdade estavam voltados para a realidade argentina, e não para a brasileira. "Lá as prioridades são diferentes. É bom que exista essa prova, para que nos atualizemos no que se exige no Brasil."


Pressão política — Grande parte dos inscritos no exame são oriundos de faculdades da América Latina, para onde vão em busca de cursos mais baratos ou que dispensem o vestibular. Dos inscritos no ano passado, 304 se formaram na Bolívia, onde hoje se encontram 25.000 brasileiros em busca de um diploma de medicina, segundo o Cremesp. O país é tão procurado pelos estudantes brasileiros que inúmeros sites na internet oferecem consultoria, em troca de dinheiro, para matriculá-los em faculdades como a Ucebol, em Santa Cruz de la Sierra, e a Upal, em Cochabamba.


Na Bolívia, uma mensalidade no curso de medicina pode custar entre 250 e 500 reais, sem a necessidade de vestibular para ingressar. Já no Brasil, o valor médio do mesmo curso é 4.000 por mês, e o estudante tem de passar por uma prova, em que enfrenta forte concorrência. Esse preço tão baixo na Bolívia influencia a qualidade do curso oferecido. "Muitas das faculdades particulares do país são caça-níqueis. Elas têm turmas com mais de 500 alunos, algumas sequer têm um hospital escola", diz Azevedo Junior. Outros 140 inscritos no Revalida estudaram em Cuba, país onde a seleção de quem entra na universidade não se dá por vestibular, mas por indicação política. "Políticos brasileiros de todos os partidos indicam alunos, na maioria militantes partidários, para ir estudar lá", afirma Azevedo Junior.


"Passei no Revalida"
Daniela Lais Schwercz, 36 anos, Universidad Católica de Cuenca, no Equador

"Fui para o Equador fazer faculdade porque meu marido é equatoriano. Nós nos conhecemos na Rússia e acabamos estudando no país de origem dele. Em 2011, fiz a revalidação pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). O processo consistia em uma prova escrita e, na sequência, um estágio de um ano no hospital universitário. Um assunto muito abordado no exame foi saúde pública, protocolos do SUS. Acho que é nesse ponto que os candidatos acabam tendo mais dificuldades, porque cada um aprende o protocolo do país onde estudou. Hoje moro em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e estou atendendo pela prefeitura em um contrato de um ano. Enquanto isso, estou estudando para as provas de residência."


"Não passei no Revalida"
Aline Vidal de Almeida, 26 anos, Instituto Universitario de Ciencias de la Salud Fundación H. A. Barceló, Argentina

"Acabei indo fazer faculdade na Argentina porque com 17 anos não tinha cabeça para estudar para o vestibular. Minha faculdade era boa, tinha um hospital próprio, mas acho que o curso acabou sendo muito teórico e com pouca prática: só fui para o hospital no quinto ano. Vim para o Brasil em 2010 e prestei o Revalida em 2011. Achei a prova bastante razoável, não foi impossível como todo mundo fala. Se você estuda, dá para passar. Mas eu tive dificuldades nas partes referentes à epidemiologia e saúde pública. Não passei no Revalida nem na prova da Faculdade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Argentina, as prioridades são diferentes, os protocolos de atendimento são outros. Por isso, acho bom que exista essa prova, para que nos atualizemos sobre o que é exigido no Brasil. É importante que o médico saiba os protocolos corretos que são usados no país."


Concentração — O principal argumento do governo para flexibilizar o Revalida é a suposta falta de médicos no Brasil, principalmente nos rincões do país. No Senado, tramitam dois projetos de lei que discutem mudanças na prova. Um deles, de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR), propõe que algumas faculdades de indiscutível excelência acadêmica tenham seus diplomas automaticamente reconhecidos no Brasil, sem a necessidade de provas. O projeto é destinado a todos os cursos, e não é voltado exclusivamente à medicina. Outro projeto, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB- AM), é dirigido somente aos médicos formados no exterior. A senadora propõe que a validação dos diplomas estrangeiros seja facilitada, mediante o trabalho desses profissionais em regiões carentes do país. Seu principal argumento é a falta de atendimento médico nas zonas mais isoladas do Brasil.


Ideia semelhante já está sendo posta em prática pelo governo de Pernambuco. Como as universidades públicas não foram proibidas de fazer suas próprias provas de revalidação, a Universidade de Pernambuco (UPE) decidiu não aderir ao exame nacional e fazer seu próprio exame a partir deste ano, o Provalida. "O candidato tem de assinar um termo de compromisso dizendo que irá exercer a profissão em um município com poucos médicos", diz Rivaldo Mendes, vice-reitor da UPE. Embora Mendes diga que a prova local não será mais fácil que o Revalida, o sindicato dos médicos do estado já se manifestou contra sua existência, pois a encara como uma alternativa menos rigorosa ao processo seletivo nacional.


Quanto ao argumento de que há poucos médicos no país, as entidades dizem que o que existe, na verdade, é a má distribuição dos profissionais, que se concentram nas regiões de maior renda. "Mais importante do que o número de médicos, é ter políticas públicas para fixá-los nos locais mais necessitados", diz Florisval Meinão. Uma pesquisa feita pelo Cremesp em parceria com o Conselho Federal de Medicina põe em relevo as facetas do problema. Para cada mil usuários do sistema privado de saúde, há 7,6 médicos, enquanto para cada mil do sistema público há somente 1,95. No Rio de Janeiro, existem 3,57 médicos para cada mil habitantes. Já no Maranhão, só existem 0,68. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos um médico para cada mil habitantes.


"Na cidade de São Paulo, que tem 4,33 profissionais para cada mil habitantes, nós encontramos dificuldades para levar médicos à periferia, onde se ganha mal, não há perspectiva de carreira, enfrenta-se violência e falta estrutura para trabalhar", afirma o presidente da AMP. Segundo as entidades, se o governo quiser resolver os problemas, não basta colocar médicos mal formados para tratar populações pobres no interior do país. Ele deveria dar início a uma política pública para o médico, que leve em conta carreira, salário, segurança e condições de trabalho. "Assim o governo garantiria sua presença nesses lugares. Fora isso, serão medidas paliativas", diz Azevedo Junior.


Exame nacional — O Revalida hoje constitui um bom filtro para evitar que médicos despreparados vindos do exterior exerçam a clínica no Brasil. Por isso mesmo, deveria ser aplicado inclusive aos futuros médicos formados em território nacional. Existem dúvidas se os profissionais formados aqui dentro seriam capazes de passar na prova. Dos 177 cursos de medicina avaliados no Enade em 2010, 27 apresentaram nota menor que dois. Para ser considerada satisfatória, uma universidade precisa de uma nota maior que três. Pelo menos 16 desses cursos terão vagas cortadas pelo MEC.


Boa parte das entidades defende a ideia de universalizar o Revalida, como uma espécie de exame da OAB voltado aos médicos. "É necessária uma prova de conhecimentos básicos, porque a formação médica nacional está muito ruim. Estão sendo abertas faculdades de medicina sem condições de ensinar, sem hospital-escola, sem garantia de residência", diz Azevedo Junior.


O Cremesp realiza todos os anos uma prova voluntária para avaliar os médicos. Mesmo sendo um exame voluntário, cerca de 60% dos alunos não obtêm aprovação. "A realidade deve ser ainda pior, já que os participantes da prova são aqueles que se sentem mais preparados. Isso é uma tragédia", diz o presidente da entidade.


Nos Estados Unidos (veja abaixo como funciona o processo de revalidação do diploma médico em outros países), qualquer médico que pretenda clinicar no país tem de passar por uma série de provas que testam sua capacidade. Quem se formou fora do país precisa cumprir as mesmas etapas. Se isso for repetido no Brasil quem vai se beneficiar são os pacientes, tanto dos grandes centros urbanos quanto das regiões mais isoladas. Com a aprovação num exame como o Revalida, a população terá certeza que seus médicos, independente de onde ele se formaram, têm capacidade de exercer a profissão.


Como funciona a revalidação do diploma médico em outros países


Estados Unidos — Para praticar a medicina no país, qualquer um precisa passar num teste chamado United States Medical Licensing Examination. Para aqueles que fazem a faculdade nos Estados Unidos, ele é aplicado em três etapas. Duas delas acontecem durante o curso, e uma depois. Já aqueles que estudam fora podem escolher se fazem os exames durante o curso, direto do país onde estão, ou depois, quando se mudarem para os Estados Unidos. Em 2010, 78% dos estudantes formados fora do país que prestaram a terceira etapa da prova foram aprovados.


Alemanha — Desde 2005, a União Europeia (UE) criou um mecanismo que unifica as qualificações necessárias para exercer a medicina em suas fronteiras, reconhecendo os diplomas dos países que fazem parte do grupo. Os médicos formados fora da UE têm de conseguir a autorização com uma das 17 associações médicas do país — existe uma para cada estado. Essa organização irá avaliar se o treinamento e as qualificações pelas quais o estudante passou na faculdade são equivalentes ao treinamento médico básico do país. Se houver dúvidas, ele terá de passar por testes de conhecimento médico, que variam de estado para estado.


Inglaterra — No Reino Unido não existe nenhuma restrição sobre quem pode tratar a saúde de pacientes. A Constituição permite a qualquer um fornecer serviços na área, desde que deixe clara sua formação. A pessoa só estará cometendo crime quando mentir sobre sua qualificação médica. No entanto, somente os profissionais registrados no General Medical Council são considerados aptos para servir em hospitais públicos e particulares, receitar remédios e dar atestados de saúde. Todo mundo que termina a faculdade no país pode se registrar automaticamente. Já aqueles que vêm de fora da União Europeia têm de passar por uma prova chamada Professional and Linguistic Assessment Board Test, que vai testar seus conhecimentos linguísticos e médicos. Numa das etapas da prova, ele irá interagir com um ator, quando serão testadas suas habilidades de diagnóstico e de comunicação com os pacientes.


*Reportagem de Aretha Yarak


Saiba mais
COMO FUNCIONA O REVALIDA

Realizado anualmente, é constituído por três provas: uma objetiva com 110 questões, uma discursiva com cinco questões e uma prova prática. Para passar para a prática, o aluno precisar somar, no mínimo, 112 pontos no total (soma da nota da objetiva com a discursiva). Cada questão da prova objetiva vale 1 ponto. A prova discursiva toda vale 50 pontos, sendo que cada uma das 5 questões vale 10 pontos.


Prova Objetiva de 2011 e Gabarito

Prova Discursiva de 2011 e Gabarito


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50 segredos das pessoas que nunca adoecem


Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de vida.


Gene Stone teve a oportunidade de escrever sobre inúmeros tratamentos adotados com sucesso para curar doenças. Porém, continuava ficando de cama. "Também notei que havia populações em que as pessoas nunca ficavam doentes. Então me ocorreu que eu devesse perguntar a essas pessoas o que elas faziam", disse Stone em entrevista à VivaSaúde.


As respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes, recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu que cinco povos eram os mais saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria.


Outro americano, Dan Buettner, escreveu sobre o tema em um livro que virou best-seller: Blue Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais. Ambos os autores nos ajudaram a traduzir as experiências dessas pessoas. Confira 50 dicas eficazes, comentadas por 21 especialistas brasileiros.


1. Beber água mesmo sem ter sede
A água está para o corpo humano assim como o combustível para o carro. Isso porque, sem manter os nossos níveis hídricos sempre abastecidos, todo o organismo sofre. O líquido ajuda a aumentar a saciedade, evitando compulsões que podem levar ao sobrepeso e ao aparecimento de diversas doenças, ao mesmo tempo que mantém a saúde do sistema renal. "É o baixo consumo de água que resulta em urina concentrada e na maior precipitação de cristais, justamente o que leva à formação das pedras nos rins", adverte a nutricionista Amanda Epifânio Pereira, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. sucos naturais, chás e água de coco também podem ser usados.


2. Ir ao dentista regularmente
A boca é como um espelho a refletir a saúde do organismo. Daí a importância de permitir que um profissional a examine a cada seis meses. "Muitas doenças sistêmicas, como diabetes, alterações hormonais e lesões cancerígenas podem ser detectadas numa consulta de rotina", diz o periodontista Cesário Antonio Duarte, professor da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, o tratamento das cáries deixa o organismo protegido contra inúmeras doenças. "Cáries não tratadas podem se tornar a porta de entrada para micro-organismos, que poderão atingir órgãos nobres como coração, rins e pulmões", alerta o especialista.


3. Ingerir mais nozes
Bateu aquela fome de fim de tarde? Experimente comer duas unidades de nozes todos os dias. Esse é um dos segredos dos Adventistas da Califórnia. Cerca de 25% deles comem nozes cinco vezes por semana. E diminuíram pela metade o risco de problemas cardíacos.


4. Temperar com alho
"Ele melhora a saúde do coração, diminui os níveis de colesterol, a pressão arterial e potencializa as nossas defesas", afirma a nutricionista funcional Gabriela Soares Maia.


5. Comprar alimentos regionais
Se puder privilegiar alimentos produzidos na sua região, sua saúde sairá ganhando. Isso porque os produtos da safra, que não recebem uma grande quantidade de conservantes, em geral, são muito mais ricos em nutrientes. Agora, se você puder ir pessoalmente à feira ou à quitanda do bairro, tanto melhor.


6.Comer mais frutas
Aumentar o consumo de produtos de origem vegetal é uma das medidas mais significativas na prevenção de doenças crônicas. A prática foi observada em pelo menos quatro das cinco Blue Zones e é fácil entender o porquê. "Frutas, legumes e verduras possuem uma quantidade de vitaminas antioxidantes, boas gorduras e fibras que supera em muito a dos alimentos industrializados", diz Isis Tande da Silva, do Ganep Nutrição Humana.


7. Aprender a planejar
A tensão constante é extremamente prejudicial à saúde. "Ela afeta o funcionamento do sistema nervoso, hormonal e imunológico", alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor da USP. Uma boa maneira de controlar essas reações é não deixar todos os compromissos para a última hora. "Acostume-se a anotar suas pendências em uma lista", diz o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa.


8. Fracionar a dieta
Comer mais vezes ao dia e optar por porções menores é um jeito inteligente de manter o peso estável. "Os jejuns prolongados desencadeiam uma fome tão intensa que é fácil se exceder nas refeições", explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. Quando dividimos a nossa alimentação diária em cinco ou seis refeições, também estamos dando uma forcinha ao processo de digestão e ao intestino, evitando sobrecargas.


9. Aproveitar o contato com a natureza
Sinta o cheiro da grama molhada, escute os pássaros, sente-se na sombra de uma árvore... Pratique essa terapia sempre que possível, já que ela é altamente relaxante. "A vegetação transfere umidade ao ar e, portanto, o ambiente fica ionizado negativamente. Isso provoca uma reação química no organismo, gerando uma sensação de muita calma", explica a arquiteta Pérola Felipetti Brocanelli, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A psicóloga Solange Martins Ferreira, do Hospital Santa Catarina, garante que as atividades ao ar livre também contribuem para recuperação de pacientes: "Quando observam a natureza, eles tiram a atenção da doença".


10. Levantar peso
A ideia não é apenas ficar forte. "Um dos principais benefícios é o aumento da densidade óssea, auxiliando na prevenção da osteoporose e na reversão da sarcopenia (diminuição no número de sarcômero, a unidade do músculo esquelético). Isso evita a incapacidade funcional, muito comum em idades avançadas", diz Ricardo Zanuto, fisiologista e professor de Educação Física das Faculdades Integradas de Santo André.


11. Ser um voluntário
Se você ainda não conseguiu um tempo para isso, é bem provável que não tenha encontrado a causa certa. "Quando se apaixonar de verdade por um trabalho social, acabará colocando-o na lista de prioridades", garante o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. "Dedicar uma noite por semana já é um bom começo", diz Dan Buettner.


12. Celebrar a vida
Não espere algo de extraordinário acontecer, mas acostume-se a comemorar as pequenas vitórias. Essa é a receita de longevidade dos italianos que vivem na Sardenha, uma das Blue Zones. Eles chamam a atenção pela disposição que têm para festejar tudo e todos.


13. Cultivar a sua fé
"A religião empresta sentido às buscas e conquistas do ser humano, dá uma nova dimensão às vitórias e também às perdas. Além disso, orienta e ajuda as pessoas a tomar decisões difíceis", explica Jorge Claudio Ribeiro, professor de Teologia da PUC-SP.


14. Trocar o café pelo chá-verde
Ainda que você precise do café para acordar, faça a substituição. Afinal, o chá-verde também contém cafeína, que funciona como estimulante. O bom é que ele oferece outros extras. "Diversos estudos mostram que a bebida atua na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson", afirma a nutricionista Andréia Naves.


15. Pegar leve com as carnes vermelhas
Embora sejam importantes fontes de ferro, são alimentos de difícil digestão e, portanto, retardam o funcionamento intestinal. Então, se você é do tipo que não pode viver sem um bifinho, contente-se com um filé médio por dia.


16. Praticar mais atividade aeróbica
Pode ser uma caminhada ou uma corrida. Esse tipo de exercício tem impacto direto sobre os fatores de risco associados à hipertensão, ao diabetes e à obesidade. "A prática regular melhora a força e a flexibilidade, fortalece ossos e articulações, facilita a perda de peso e diminui o colesterol", afirma Zanuto.


17. Encontrar a sua tribo
Se você gosta de esportes, certamente irá sentir-se bem com amigos que também gostam. Portanto, faça um esforço para encontrar pessoas com quem possa compartilhar e trocar ideias. "Uma das atitudes mais importantes para garantir a longevidade é cercar-se de pessoas que vão lhe dar suporte e que conectam ou reconectam você com o sentido maior que você dá à sua vida", diz Dan Buettner.


18. Ser agradável
Facilita a convivência social e cria vínculos com pessoas que poderão apoiá-lo quando necessário. Mas como tornar-se uma pessoa agradável? O autor Dan Buettner é quem responde: "Para isso, é preciso ser interessado e não apenas interessante. Pessoas simpáticas perguntam a você como está em vez de falarem apenas de si mesmas".


19. Definir seus objetivos
É o que os moradores de Okinawa chamam de ikigai e os habitantes de Nicoya nomeiam de plano de vida. Seja como for, o fato é que eles têm muito bem definidas as suas razões de viver e investem nesses propósitos.


20.Conhecer melhor a ioga
Ela une princípios da meditação, exercícios para o equilíbrio, alongamento e o treinamento de força, com foco na respiração. Tudo isso graças à execução de movimentos sequenciados. "A ioga é ótima para a longevidade, porque fortalece os músculos e ligamentos. Então, os movimentos tornam-se mais fluidos e seguros. A prática tem ainda um efeito importante na redução do estresse", diz Dan Buettner.


21. Guardar o despertador na gaveta
Dormir bem significa dar ao corpo a chance de se recompor totalmente. "Se você se deita, dorme logo e acorda bem disposto, pode dizer que tem um sono de qualidade", ensina o neurofisiologista Flavio Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas (SP). Quem não tem, corre um risco muito maior de adoecer. "Aqueles que dormem pouco podem ter um aumento do colesterol e dos triglicérides", complementa Alóe.


22. Apostar nos integrais
Não basta comer pão integral. Com um pouco de criatividade, é possível incluir a farinha e aveia integrais na preparação de inúmeros pratos. Quer um bom motivo para fazer isso? Pois saiba que os alimentos não processados oferecem um aporte muito maior de nutrientes. "No processo de refinamento, o germe dos grãos são retirados, restando praticamente o amido", explica a nutricionista Patrícia Morais de Oliveira, do Ganep.


23. Pensar na sua vocação
Fazer o que gosta é uma forma eficiente de afastar o estresse. Além disso, é interessante que o seu tipo de trabalho seja capaz de fazê-lo sentir-se realizado. Por último, saiba que aquele que se empenha em uma carreira para a qual há um sentido profundo, além da manutenção da renda, se sente mais motivado a investir na atualização dos conhecimentos. E estudar, como já vimos, é um santo remédio para o cérebro.


24. Doar seus pratos grandes
A população de Okinawa descobriu um jeito de comer 30% menos: eles utilizam pratos de apenas 23 cm de diâmetro. "Há experiências promissoras sendo realizadas por meio da restrição calórica orientada, que já se mostrou capaz de aumentar o tempo de vida de animais de laboratório em 60%", afirma Ellen Paiva.


25. Ter atitudes positivas
"As emoções fazem parte daquilo que somos e, portanto, são capazes de provocar reações físicas muito claras. As positivas curam e determinam uma maior e melhor qualidade de vida", diz Armando Ribeiro das Neves Neto.


26. Emagrecer a despensa
Na hora da compra, elimine os alimentos que possuem qualquer quantidade de gordura trans e evite os que contêm gorduras saturadas. E por um motivo simples: as chamadas gorduras ruins têm relação com o aumento dos níveis de colesterol LDL e triglicérides, fazendo crescer o risco de infarto e de acidente vascular cerebral. "Além dos industrializados, convém tomar cuidado com os alimentos de origem animal, como carnes gordas", alerta a nutricionista Andréia Naves, da VP Consultoria Nutricional.


27. Saber como usar a soja
Em Okinawa, no Japão, o consumo de produtos da soja é o maior de todo o mundo. O resultado? Dos cerca de 1 milhão de habitantes locais, mais de 900 pessoas já passaram dos 100 anos. "O consumo frequente reduz os riscos de doenças cardiovasculares", afirma a nutricionista Renata C. C. Gonçalves, do Ganep.


28. Estudar sempre
Manter as atividades intelectuais é uma maneira de garantir anos extras de vida e muito mais saúde, principalmente nas idades avançadas. "Exercitar o cérebro vai deixá-lo mais protegido contra doenças. Na prática, isso significa um risco menor de limitações físicas, mesmo se algo der errado porque, nesse caso, a recuperação será muito melhor", explica o neurologista André Gustavo Lima, do Hospital Barra D´or.


29. Ter um dia só para você
Os Adventistas do Sétimo Dia que vivem em Loma Linda, na Califórnia, recolhem-se em suas casas aos sábados e aproveitam a ocasião para meditar e orar. E esse parece ser mais um bom hábito que poderíamos nos esforçar em copiar. Afinal, essas pessoas vivem de cinco a dez anos mais que o resto da população americana. "Se for impossível fazer isso, tente conseguir pelo menos 15 a 20 minutos por dia para não fazer nada, ou melhor, para pensar apenas. É como marcar uma reunião consigo mesmo", diz Christian Barbosa


30. Apagar o cigarro
Quem tem menos 40 anos e fuma até 20 cigarros por dia tem quatro vezes mais chances de infartar. Agora, se o consumo for maior, o risco sobe 20 vezes. A explicação é simples: as substâncias do cigarro levam à contração dos vasos sanguíneos, à aceleração dos batimentos cardíacos, além abaixar o HDL, que age como um protetor das artérias.


31. Ouvir a sua música
A musicoterapeuta Maristela Smith, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), tem uma receita interessante para quem quer tirar proveito da terapia da música. "Faça um CD com as músicas que marcaram positivamente a sua vida para criar a sua identidade sonora musical. Escute-o regularmente, principalmente quando estiver precisando melhorar o astral", ensina a especialista.


32. Respirar com consciência
Quando estiver precisando relaxar ou desacelerar seu ritmo, faça a respiração completa. "Inspire calmamente o ar pelo nariz, contando três segundos. Então, bloqueie a respiração por um tempo, retendo o ar, e expire pela boca em seis segundos. Assim, você estará atuando diretamente sobre o sistema nervoso autônomo", ensina o educador físico Estélio Dantas, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.


33. Curtir os animais
Mesmo que não possa ter um em casa, descubra aqueles com os quais possui mais afinidades e dê a si mesmo a oportunidade de tocá-los. Para a veterinária Maria de Fátima Martins, professora de Zooterapia da USP, a convivência com os bichos é uma rica fonte de benefícios psicológicos, físicos e sociais. Ela coordena uma experiência de terapia assistida com animais em asilos. "O contato com os animais tem melhorado a vida dessas pessoas. Para alguns idosos, a experiência foi tão positiva que eles chegaram a diminuir o número de medicamentos que tomavam", conta.


34. Ser muito mais ativo
Comece descendo alguns pontos antes do ônibus. Fazer mais atividades a pé ou de bicicleta, cozinhar, cuidar do jardim, brincar com o seu cachorro, todas essas maneiras de se mexer são válidas. "Um dos segredos da longevidade é encontrar meios de se manter sempre em movimento. De preferência, concentre-se em atividades que também lhe dão prazer, e os benefícios serão maiores", sugere Dan Buettner.


35. Desacelerar o ritmo
"Se você não cria um tempo para estar bem, terá que ter tempo para se cuidar quando ficar doente", alerta Dan Buettner. O primeiro estágio do estresse é a fase de alerta. Ele nos permite realizar muitas tarefas em pouco tempo e aí nos sentimos bem. Porém, quando persistimos na tensão, o organismo entra em fadiga.


36. Comer mais iogurtes
"Eles reforçam a nossa imunidade", explica a nutricionista Gabriela Maia, da Clínica Patricia Davidson Haiat. O que as bactérias vivas contidas nesses potinhos também fazem é melhorar o nosso humor. Afinal, é o intestino que responde pela produção de 95% da serotonina de todo o corpo.


37. Investir no ômega-3
Peixes de água fria (salmão, arenque, sardinha, atum), sementes de linhaça moídas e óleos de peixe, de soja e de canola são ótimas fontes desse nutriente, que tem ação comprovada na redução dos níveis de colesterol e de triglicérides, além de ajudar no controle da pressão e de prevenir o risco de tromboses, que danificam os vasos sanguíneos. O composto ainda é coadjuvante em tratamentos neurológicos e de osteoporose.


38. Controlar o álcool
A curto e médio prazos, o álcool pode engordar, acelerar o processo de envelhecimento e ainda aumentar a pressão arterial. A longo prazo, causa dependência e ainda compromete o funcionamento de todos os sistemas do corpo, com danos mais sérios para o fígado.


39. Brincar com as crianças
É uma excelente estratégia para tirar o foco das preocupações, aproximar a família ou amigos e facilitar o contato intergeracional. E todos esses aspectos estão associados à longevidade. Porém, para funcionar, é preciso que se tenha um mínimo de afinidade com os pequenos.


40. Construir o próprio jardim
Mexer com plantas e flores pode ser um hobby interessante e saudável, desde que você realmente consiga tirar prazer da atividade. "Esse tipo de passatempo é muito válido para prevenir o estresse, tanto quanto fazer trabalhos manuais ou cozinhar. Só não pode virar rotina e obrigação. Se a pessoa tem que cozinhar ou cortar a grama todos os dias, por exemplo, isso passará a representar, na vida dela, mais uma fonte de tensão. E aí os benefícios não virão", explica Armando Ribeiro Neto.


41. Desfrutar do sol
Sentir na pele o calor dos raios solares não é somente uma receita para adquirir disposição e ânimo. Com cerca de 15 minutos de exposição, oferecemos ao corpo algo que só o sol pode dar: a energia necessária para a síntese de vitamina D. "O composto é importantíssimo na fixação de cálcio no organismo, prevenindo a osteoporose, além de fortalecer o sistema imunológico", afirma a endocrinologista Bárbara Carvalho Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais.


42. Perdoar mais
"Para envelhecer bem, é preciso olhar para a nossa trajetória de vida aceitando os erros cometidos e desculpando-se por eles. Da mesma forma, é interessante perdoar aos outros, percebendo que não fomos apenas vítimas", diz a psicóloga Dorli Kamkhagi, colaboradora do Laboratório dos Estudos do Envelhecimento do Hospital das Clínicas (SP). "Perdoar é retirar objetos pesados de uma mochila que carregamos", compara.


43. Dar uma chance à laranja
Uma única unidade é capaz de prover a necessidade que o nosso corpo tem de vitamina C a cada dia. "Protege contra o câncer, afasta aquela gripe chata e até ajuda a pele a se recuperar mais rapidamente dos estragos promovidos pelo sol", diz a nutricionista Gabriela Soares Maia.


44. Alongar o corpo todo
Os problemas mais frequentes do aparelho locomotor, e que estão relacionados ao envelhecimento, são a perda da mobilidade e a osteoporose. "O alongamento, enquanto um treinamento da flexibilidade, é um dos principais fatores de manutenção da autonomia funcional em idosos", garante o educador físico Estélio Dantas.


45. Cochilar após o almoço
Na Península de Nicoya, na Costa Rica, a sesta é um costume institucionalizado. E, em muitas outras partes do mundo, as pausas para um cochilo também são comuns. "Para quem dorme pouco, essa pode ser uma estratégia compensatória", diz o neurofisiologista Flavio Alóe. É como renovar as energias, antes de recomeçar a jornada.


46.Priorizar as pessoas amadas
Este é outro ponto comum dos que vivem nas chamadas Blue Zones. "Eles contam com famílias fortes e se apoiam mutuamente", conta Dan Buettner. Relações verdadeiras nos protegem de situações adversas.


47. Esquecer do sal
A redução de seu consumo é imprescindível para prevenir e controlar a hipertensão que, por sua vez, oferecem as condições favoráveis para que inúmeros problemas de saúde progridam rapidamente, tais como a insuficiência renal e as complicações cardíacas. "O sal em excesso faz o corpo reter mais líquido, o que, além de causar inchaço, também aumenta o volume sanguíneo, elevando a pressão nas artérias", explica a nutricionista Andréia Naves. Para passar bem longe desse drama, vale cortar o sal de cozinha que adicionamos aos pratos durante a preparação, para colocá-lo apenas no momento de consumir, e sempre usando o bom senso. Outra dica é reduzir o consumo de condimentos, pratos prontos, embutidos ou enlatados.


48. Praticar sexo com prazer
A atividade sexual ajuda a aliviar as tensões, já que, durante a relação, ocorre a liberação de endorfinas, substâncias que melhoram o humor. O sexo ainda faz bem para a circulação. Por fim, vale como um excelente exercício e ajuda a reforçar vínculos de afeto.


49. Criar um tempo para a família
A união e o apoio mútuo entre cônjuges, pais e filhos precisam certo investimento de tempo e atenção. Mas como encontrar períodos livres para dedicar a essas pessoas todo o carinho que merecem? "Vale programar um jogo que possam fazer juntos, que permita confraternizar e trocar ideias", diz Christian Barbosa.


50. Usar as dicas diariamente
Caminhar só aos finais de semana ou encontrar mais tempo para os amigos apenas nos períodos em que a rotina de trabalho sossega um pouco podem ser um bom começo, na tentativa de transformar a sua vida para melhor. É preciso, porém, garantir que mudanças pontuais se transformem em hábitos, para colher resultados significativos no que diz respeito à saúde e à longevidade. "As pessoas que eu conheci enquanto preparava o livro possuem diferentes segredos, mas uma coisa que todas elas têm em comum é a disciplina; elas usam seus segredos diariamente, ou seja, fazem da boa saúde uma prioridade, um hábito mesmo", finaliza Gene Stone.


Produção: Janaina Rezende / Fotos Fabio Mangabeira e Shutterstock
*Fonte: revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/93/artigo205423-1.asp


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DPAC - Desordem do Processamento Auditivo Central

Seu filho (a), sobrinho(a) é tido por rebelde, não estudioso, desatento, desligado, distraído... Ele pode ser portador de DPAC.


Distraído pelo barulho
Desatenção e notas baixas na escola não são sinônimo de falta de inteligência. Às vezes o problema está na incapacidade de lidar com barulho, mas poucos médicos sabem disso.

Por Fábio Peixoto (Revista Super Interessante)


Por mais que estudasse, a paulista Glaudys Garcia não tirava notas maiores que 4. A mãe e os professores se esforçavam para lhe ensinar coisas simples, mas ela não prestava atenção em nada. Era insegura, distraída, tinha medo de falar ao telefone e não se concentrava nos livros. Acabou se isolando dos colegas. Depois de passar por vários médicos e psicólogos, sua mãe tentou um último recurso: levou-a a uma fonoaudióloga. Em três meses Glaudys estava curada. Hoje ela tem 13 anos e no seu último boletim não há nenhuma nota menor do que 6.


Pode parecer estranho, mas o problema era de audição. A menina, assim como outras centenas de milhares de crianças, sofria de desordem do processamento auditivo central, ou DPAC, um distúrbio reconhecido há apenas quatro anos que raramente é diagnosticado pelos médicos, mas pode estar afetando milhões de brasileiros. Em geral, a disfunção surge da falta de estímulos sonoros durante a infância. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem nos treze primeiros anos. Até essa idade, as notas musicais, as palavras e os barulhos vão lentamente nos ensinando a lidar com a audição. Justamente nessa fase, Glaudys pode ter tido problemas no ouvido que atrapalharam a entrada de sons. Acabou formando mal o seu sistema auditivo. Todos os inconvenientes pelos quais passou eram consequência disso.


Um dos principais sintomas da DPAC é a dificuldade em manter a concentração num ambiente ruidoso. "Quem sofre desse mal não consegue prestar atenção em uma coisa só", diz a neurologista Denise Menezes, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Na sala de aula, não separa o que a professora diz do latido de um cachorro do lado de fora", acrescenta.


A DPAC é comum nas grandes cidades, onde o barulho excessivo prejudica a percepção de estímulos sonoros e a poluição provoca alergias que bloqueiam a orelha com muco. Crianças que têm inflamações frequentes nos ouvidos também podem sofrer da desordem. O pior é que, por ser pouco conhecida, a DPAC costuma ser confundida com falta de inteligência ou com alguma deficiência mental. Mas, como mostra o caso de Glaudys, uma coisa não tem nada a ver com a outra.


O mundo é barulhento demais


Para uma vítima de DPAC, o mundo se transforma numa interminável confusão de barulhos desconexos e embaralhados de onde é quase impossível pescar os sons que realmente interessam (veja infográfico). O ar-condicionado vira um zunido infernal que se sobrepõe às vozes dos outros. O telefone torna-se uma máquina indecifrável, porque o cérebro não consegue decodificar a fala do interlocutor em meio à distorção normal de qualquer ligação. Também não é fácil entender a entonação das frases. Uma pergunta pode soar como uma afirmação e uma ironia acaba parecendo a frase mais séria do mundo. Os amigos acabam se afastando, já que ninguém gosta de conversar com alguém que não entende o que os outros dizem.


A fala também é prejudicada. "Os processos de linguagem se desenvolvem ao mesmo tempo que os de audição", explica a fonoaudióloga Liliane Desgualdo, da Universidade Federal de São Paulo, pioneira no diagnóstico da DPAC no Brasil. "Uma criança pode não aprender a falar bem se não souber lidar com os sons." A leitura acaba igualmente afetada. "Mesmo num lugar silencioso, uma pessoa com DPAC encontra problemas em entender um texto porque, para tanto, é necessário associar as palavras ao som que elas têm", conta a psicopedagoga Ana Silvia Figueiral, de São Paulo. Todo esse esforço para realizar atividades corriqueiras é demais para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e "desliga". Por isso, as vítimas do problema são sempre muito distraídas.


Enfim, tudo se torna uma tarefa dura. O ouvido até percebe os sons, mas o cérebro, iludido pela falta de estímulos na infância, não sabe o que fazer com eles. Os médicos geralmente não percebem a disfunção porque ninguém desconfia que sintomas tão variados possam estar todos ligados à audição, menos ainda quando constatam em exames que o ouvido funciona normalmente. E, se o diagnóstico não é feito, não há como curar (veja quadro à direita).


Reaprendendo a escutar


A DPAC só foi reconhecida nos Estados Unidos em 1996, quando a Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição chegou a um consenso sobre seus sintomas e suas formas de tratamento. Ainda se sabe pouco sobre as causas — a falta de estímulos sonoros está entre elas, mas suspeita-se também de razões genéticas e de má alimentação. "Uma coisa é certa: a desordem está relacionada à classe social", afirma Liliane. Ela fez uma pesquisa em colégios de São Paulo e constatou que, nas escolas particulares, entre 15% e 20% das crianças têm DPAC em algum grau. Nas escolas públicas, onde há uma proporção bem maior de alunos pobres, o índice chega a alarmantes 70%. A razão disso é que crianças mais pobres geralmente ouvem menos música, têm mais inflamações no ouvido, menos acompanhamento de pediatras e psicólogos e se alimentam pior, o que também pode prejudicar a formação do sistema auditivo. Infelizmente, a imensa maioria delas carrega esse estorvo para a idade adulta sem ao menos desconfiar que a cura pode estar ao alcance da mão.


Amamentação
Se um bebê toma mamadeira deitado, existe a perigosa possibilidade de o leite ser acumulado atrás dos tímpanos, prejudicando o desenvolvimento das vias auditivas. Todo o cuidado é pouco, porque a capacidade de receber sons se forma até os 2 anos.


Mal urbano
Nas grandes cidades é comum crianças terem alergia causada pela poluição. Dependendo do caso, o muco se acumula atrás dos tímpanos. Essa é uma das causas de problemas no processamento auditivo.


Lápis insuportável
Quem teve problemas de audição na infância pode ficar com os neurônios do tronco cerebral mal conectados. O resultado é que sons triviais, como o de um lápis que cai, tornam-se insuportáveis. Fica impossível concentrar-se numa prova.


Anos cruciais
Até os 7 anos, se desenvolve a parte auditiva do tronco cerebral, importante para localizar a origem dos sons e notar um barulho entre vários.


Bem formado
Aos 13 anos, um menino saudável completa o desenvolvimento auditivo. Os neurônios de suas estruturas já são muitos e estão bem interligados.


Sem graça
Por não notar sentidos escondidos, o deficiente auditivo é incapaz de entender muitas piadas.


Falso rebelde
Na escola, como ele não é capaz de ordenar os sons, fica difícil entender as aulas. O professor muitas vezes acha que o menino desafia sua autoridade, pois não consegue seguir atividades simples.


Onde está?
Vítimas do distúrbio não conseguem saber de onde vem um som. É que o cérebro não pode calcular sua origem, uma operação que exige o processamento simultâneo do que ouvem os dois ouvidos.


O que faço?
O menino deficiente não sabe o que fazer com a bola porque não consegue entender o que os colegas gritam. Ele se desconcentra nos momentos que exigem a hierarquização dos sons.


Apesar da gravidade do problema, a DPAC tem cura.


Uma das principais responsáveis pela pesquisa da terapia para o distúrbio no Brasil, a fonoaudióloga Liliane Desgualdo conta que o tratamento consiste em dar às pessoas os sons que elas deveriam ter ouvido durante as fases de desenvolvimento do processamento auditivo. Mesmo após os 13 anos, as áreas auditivas do cérebro podem ser aperfeiçoadas, desde que sejam submetidas a uma grande quantidade de estímulos. Uma das atividades é fechar o paciente em uma cabine e submetê-lo a vários sons misturados, acustumando-o aos poucos a distinguir um do outro.


A terapia dura de seis meses a um ano.


A equipe de Liliane, uma das poucas especializadas no assunto no país, tem conseguido curar 80% dos pacientes que chegam às suas mãos — dos 20% restantes, pouquíssimos não apresentam alguma melhora.


Além do tratamento fonoaudiológico, é importante que haja também um acompanhamento psicopedagógico. "Os maiores danos da DPAC são na autoestima. Depois de curado, um sujeito pode ainda se achar incapaz", alerta Ana Silvia. Afinal, não é fácil para um ex-paciente se acostumar com a ideia de que é inteligente depois de ter passado décadas acreditando que não é.


Para Saber Mais:
Processamento Auditivo Central — Manual de Avaliação, Liliane Desgualdo Pereira e Eliane Schochat, Editora Lovise, São Paulo, 1997.
fpeixoto@abril.com.br


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Código de Ética Médica

Publicação da Revista VEJA
http://veja.abril.com.br/perguntas-respostas/codigo-etica-medica.shtml


Entrou em vigor no país na última terça-feira o novo Código de Ética Médica. Depois de dois anos de consulta pública, o documento atualiza regras e princípios que o médico deve seguir no exercício da profissão. Temas como bioética e o tratamento de doentes terminais estão presentes na nova “constituição” dos profissionais de medicina. O Código foi aprovado com a participação de cerca de 400 delegados, entre conselheiros federais e regionais de medicina, além de representantes de várias entidades médicas. Confira a seguir o que muda com o novo Código:


1. O que é o Código de Ética Médica?
É um documento que reúne um conjunto de normas e princípios nos quais o profissional de saúde deve se basear para exercer seu trabalho. Entre os principais temas abordados, estão os direitos dos médicos, a responsabilidade profissional, direitos humanos, relação com pacientes e familiares, sigilo profissional, pesquisa científica e relações da medicina com a indústria farmacêutica.


2. O que acontecerá com os profissionais que desrespeitarem as normas do Código?
Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica, o novo Código é subordinado à Constituição Federal e à legislação brasileira. Em caso de denúncias de práticas indevidas, o profissional acusado é submetido à avaliação pelo Conselho Regional de Medicina: caso a denúncia se confirme, ele pode ser impedido de exercer a atividade.


3. Por que o novo Código foi criado?
O último Código havia sido publicado em 1988. Nas duas décadas que se passaram, surgiram novas situações na sociedade contemporânea, como a eutanásia, além de questões éticas suscitadas pela evolução da biotecnologia, como a manipulação genética. Para a atualização, o CFM considerou a consulta pública, códigos de ética médica de outros países e também posicionamentos já estabelecidos, registrados em pareceres e resoluções da Justiça.


4. Quais foram são as principais inovações?
De acordo com o CFM, o texto atual “remove algumas obscuridades ou duplicações e destaca com mais vigor os princípios fundamentais da ética”. As mudanças vão desde a exigência de uma letra legível na receita médica – uma antiga reclamação de pacientes – até a proibição de escolha do sexo do bebê na reprodução assistida. O Código também é mais claro sobre as relações do médico com pacientes e familiares, hospitais e clínicas e com a indústria farmacêutica.


5. O Código atinge também os hospitais e clínicas?
De certa forma. O CFM afirma que o Código “não é determinado apenas pela profissão médica em si, também verifica o cumprimento dos regulamentos que regem a sociedade na qual os profissionais praticam a medicina”. Os serviços de saúde poderão ser atingidos pelo código já que ficou estabelecido que o médico é capaz de recusar atendimento caso as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar sua própria saúde ou a do paciente. Outro ponto é que o médico também não poderá faltar no plantão ou sair antes do horário estabelecido, sem a presença de um profissional para substituí-lo. Segundo o código, “na ausência de médico plantonista substituto, a direção técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a substituição”. Se forem respeitadas, as normas tendem a mudar a qualidade de atendimento em clínicas e hospitais – públicas e particulares.


6. A relação médico-paciente vai melhorar?
Sim, isso deve mesmo acontecer. O Código estabelece que o paciente ou representante legal deve consentir o procedimento ou tratamento a ser realizado, salvo em situações graves, com risco de morte. Outro ponto do documento chama a atenção para importância da opinião das pessoas submetidas a tratamento. Segundo o texto, “o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas”. O médico não poderá se opor, caso o paciente resolva recorrer a uma segunda opinião.


7. Agora a eutanásia será permitida?
Não. O médico não poderá abreviar a vida do paciente, mesmo se o ato for solicitado pelo próprio doente ou por seu representante legal. De acordo com o Código, em casos de doença incurável, o médico deve oferecer cuidados paliativos, que reduzem o sofrimento do paciente. O documento indica que procedimentos desnecessários e invasivos não devem ocorrer em doentes terminais.


8. O que vai mudar na relação dos médicos com a indústria farmacêutica?
A relação entre a medicina e a indústria farmacêutica não deve ser exercida com o objetivo de obter vantagem "pelo encaminhamento de procedimentos, pela comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional". Ou seja: os médicos não devem receber viagens, dinheiro ou qualquer outro tipo de benefício dos laboratórios em troca da indicação de medicamentos ou procedimentos.


9. Que outras restrições foram impostas aos médicos?
O médico não pode se associar a empresas que "anunciam ou comercializam planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios para procedimentos médicos". Eles também não poderão participar de anúncios, beneficiando-se de sua profissão.


10. Os avanços da biotecnologia foram discutidos no Código?
Sim. O médico não pode usar a medicina de reprodução assistida para criar embriões com o objetivo de escolher sexo ou para criar seres geneticamente modificados. Outro impedimento é criar embriões para investigação. Segundo o Código, “é vedado ao médico intervir sobre o genoma humano com vista à sua modificação, exceto na terapia gênica, excluindo-se qualquer ação em células germinativas que resulte na modificação genética da descendência”.


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Dicas de Saúde


Com dicas simples, preparadores físicos, nutricionistas e médicos ajudam a abandonar vícios, sair do sedentarismo, melhorar hábitos alimentares e, assim, conquistar a tão sonhada qualidade de vida.


Os onze mandamentos de Nuno Cobra, preparador físico.


1 - Durma pelo menos oito horas e tente acordar sem despertador. "Ele é uma agressão ao organismo”


2 - Alimente-se em pequenas quantidades a cada três horas.


3 - Cheire a comida, pegue as folhas com as mãos e mastigue o mais devagar possível.


4 - Exerça alguma atividade física pelo menos três vezes por semana. Uma hora de caminhada pode ser praticada por qualquer pessoa, em qualquer lugar, e é suficiente para obter os benefícios do esporte.


5 - Evite ficar nervoso. Em situações de stress, experimente bocejar e espreguiçar.


6 - Dedique pelo menos quinze minutos do dia à meditação. Escolha um local silencioso, sente-se numa posição confortável e se esqueça da vida.


7 - Tome ao menos dois banhos frios por dia. Esse hábito é energizante.


8 - Nenhum tratamento irá funcionar se você não abandonar seus vícios, a começar pelo cigarro.


9 - Quando fizer exercícios físicos, concentre-se apenas neles. Não leia enquanto pedala na bicicleta nem ouça música enquanto corre.


10- Preste atenção ao fluxo de ar que entra e sai de seu pulmão e procure respirar mais profundamente.


11- Faça elogios com mais frequência. Essa tática funciona como um ímã e faz com que todos queiram estar ao seu lado.


Os cinco mandamentos de Alfredo Halpern, endocrinologista


1 - Não se culpe por ser gordo. Procure ajuda e emagreça.


2 - Fuja das fórmulas mágicas e das dietas milagrosas. O que vale é aprender a comer.


3 - Não há alimento proibido. O segredo é não exagerar em nada.


4 - É possível comer bem e ter um peso normal.


5 - Obesidade é uma doença e, às vezes, seu tratamento requer a intervenção de medicamentos. Mas lembre-se: eles precisam ser receitados por um médico.


Os cinco mandamentos de Fernanda Lima e Ari Stiel Radu, reumatologistas


1 - Não pratique exercícios em locais expostos à poluição, como avenidas movimentadas. Escolha horários com menos tráfego ou deixe para se exercitar em casa, numa esteira, por exemplo.


2 - A regularidade traz mais benefícios à saúde do que a intensidade da atividade física.


3 - Fique atento à postura. Se você não se cuidar, todo o seu esforço com atividades físicas poderá ser em vão.


4 - Seja paciente com seu corpo. Em um mês, você não vai recuperar o atraso de dez anos.


5 - Evite exercitar-se em horários de calor excessivo, para não sofrer desidratação.


Os cinco mandamentos de Mauricio Hirata, clínico geral


1 - Arrume um espaço na agenda para fazer ginástica, como o horário do almoço.


2 - Coma alimentos saudáveis. Se for o caso, leve a comida de casa.


3 - Ponha um comedouro para pássaros na janela de sua casa ou apartamento e observe os movimentos dos animais. "É excelente para relaxar”


4 - Não perca muito tempo de seu dia no trânsito. Se você mora longe do trabalho, mude-se para mais perto.


5 - Deixe a janela do quarto entreaberta se você tem dificuldade em acordar de manhã. A luz ajuda o cérebro a perceber que já é dia.


Os cinco mandamentos de Tânia Rodrigues, nutricionista


1 - Acostume-se a beber mais água. Deixe uma garrafa de meio litro sobre a mesa de trabalho e outra dentro do carro.


2 - Inclua pelo menos três frutas na alimentação diária. Elas garantem quantidades mínimas de vitaminas, fibras e minerais, que ajudam a prevenir diversos tipos de câncer.


3 - Não saia de casa sem se alimentar. Se sua refeição for apenas um cafezinho, pelo menos acrescente um pouco de leite à xícara.


4 - O jantar deve ser a refeição mais leve do dia. Se você tem mais fome à noite, faça um esforço e coma menos nesse horário. O corpo se acostumará e você terá mais apetite de manhã.


5 - Coma uma pequena porção de algum alimento rico em carboidrato trinta minutos antes das atividades físicas. Isso vai melhorar seu rendimento.


Os cinco mandamentos de Hong Jin Pai, acupunturista


1 - Reclamar da vida só causa stress. Em vez de resmungar porque faz frio, vista um agasalho.


2 - Passamos a maior parte do dia no trabalho. Por isso, você precisa amar o que faz.


3 - Aproveite o trânsito para escutar alguma música de que goste, estudar um idioma ou, se não estiver dirigindo, ler.


4 - Seja otimista. Lembre-se de que todas as crises são passageiras.


5 - A terceira idade deve ser a melhor fase da vida. Estude, exercite-se e leia. Ficar parado só acelera o envelhecimento.


Um mandamento de Jorge Furtado


1 – Tente fazer pelos menos metade de todos os mandamentos acima. É vida longa, saudável e feliz.


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