FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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Facebook: o que seus amigos mais curtem?

O Amor no Terceiro Milênio

Desejos de Ano Novo

Reescreva a sua história

Conhecer a nós mesmos

Minimamente feliz

Normose

Aversão às mulheres

A pipoca que somos

Amigos

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Facebook: o que seus amigos mais curtem?

Como encontrar informações e pessoas na nova busca do Facebook, um clube onde o Google não entra

RAFAEL BARIFOUSE

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Em oito anos, o Facebook passou de um pequeno experimento num dormitório da Universidade Harvard para o site mais visitado do mundo. Hoje, metade das pessoas que usam internet no planeta está registrada na rede social. O Brasil é o segundo país com mais usuários. E o primeiro em volume de postagens. São milhões de posts e fotos publicadas diariamente. Os usuários comentam e curtem o que foi publicado por amigos. A cada clique, revelam um pouco de si mesmos. Isso permite ao Facebook faturar bilhões com propagandas dirigidas aos hábitos e interesses deles.


Como fazer amigos de verdade em tempos de Facebook


O Facebook sabe que esse vasto conteúdo tem muito valor e, espertamente, nunca deixou o Google ter acesso a ele. O Google consegue encontrar os perfis de pessoas, mas não vê seu conteúdo. Agora, o Facebook aproveitará melhor seu tesouro tão bem guardado. O site lançou uma nova ferramenta de busca que vasculha quem está no site, suas preferências e o que elas publicam por lá. Quer saber um bom restaurante para ir hoje à noite? Basta digitar "restaurantes próximos" e esperar que o Facebook indique os locais por perto mais curtidos por seus amigos. Com isso, os resultados são bem mais pessoais que em outros buscadores. Tudo na busca do Facebook passa pelo filtro das preferências de seus amigos.


Você é viciado em Facebook? A ciência responde; faça o teste e descubra


Com a nova ferramenta, o Facebook espera se tornar ainda mais útil e popular. Quanto mais tempo você passar por lá, menos ficará na concorrência. Graças ao acúmulo das buscas, o Facebook começa a aprender o que seus usuários mais procuram. Com esses dados preciosos, pode realizar uma distribuição mais precisa dos anúncios ou das páginas patrocinadas na rede.


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(Fotos: reprodução)


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O Amor no Terceiro Milênio

Flávio Gikovate


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.


O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.


A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.


A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso - o que é muito diferente.


Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem.


O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.


A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.


Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.


O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...


"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado".


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Desejos de Ano Novo


Desejos de ano-novo que você não precisa pedir, pois pode fazer:


- Parar de buzinar nos engarrafamentos. Além de não adiantar, inferniza a vida de quem não tem como sair do trânsito.


- Exercitar a paciência com os outros – a mesma que você espera que tenham com você.


- Sorrir e dizer “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite”. Não exige nada de você, mas faz a maior diferença para o outro.


- Passar a enxergar: o vigia, a faxineira, o varredor de rua, o porteiro, o guarda, a mulher do cafezinho. Pessoas cuja existência muitas vezes só notamos quando nos faltam.


- Tomar outros caminhos, escolher outro restaurante, outro prato, outra cor. Antes de ser um risco, pode ser uma boa surpresa.


- Observar a paisagem. Não é porque os prédios são cinzentos que não existe o céu azul.


- Ouvir mais. Lembrando que ouvir não é simplesmente calar, mas abrir os ouvidos e o coração.


- Parar de rotular as pessoas. Rótulos têm uma cola difícil de sair.


- Aprender a elogiar. Um elogio pode fazer o dia de alguém.


- Trocar a preocupação pela ocupação. Trabalhar pelo que pode ser feito, e não pelo que poderia ter sido.


- Tentar se colocar no lugar do outro. Sempre.


- Colocar o medo no lugar do medo. Ele existe para nos alertar, não para nos paralisar.


- Amar sem medo de dar errado. Porque amar com medo já é sinal de que deu errado.


- No meio da arrumação, jogar fora também os preconceitos. Que como o lixo, só servem para nos tapar a visão.


- Entender que o nosso controle da vida tem limites. O resto é com a vida. Quando você descobre isso, tudo corre mais fácil.


E feliz 2012.


Cris Guerra, 41 anos, é escritora, ex-redatora, publicitária, ex-consumidora compulsiva, ex-viúva, modelo de vez em quando, mãe e observadora o tempo todo.


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Reescreva a sua história


Se você tem se perguntado o que tem feito ou como está sua vida, esta é uma boa hora para repensá-la.


Existe uma lógica básica: nascer, crescer (viver) e morrer, ÚNICA REGRA SEM EXCEÇÃO.


Agora será que nós viemos a essa terra apenas para seguir essa regra sem exceção? Ou viemos cumpri-la com uma missão?


Sou adepto de uma missão aqui na terra, afinal a vida seria muito óbvia e sem graça apenas para cumprir o Nascer, Viver e Morrer.


Seguindo essa lógica, cada um de nós tem a obrigação de descobrir qual sua missão aqui na terra e isso só é possível diante das inúmeras situações vividas. Nelas está o seu destino.


Você pode ter vindo a esta terra para ser Pastor e levar a mensagem de Deus aos seus irmãos.


Você pode ter vindo para ser empresário e gerar empregos.


Você pode ter vindo para ter a nobre missão de ensinar.


Você pode ter vindo para ser político e criar leis para melhorar a vida de tantas pessoas, mas VOCÊ jamais veio a esse Mundo para:


1. Roubar;
2. Matar;
3. Cobiçar as coisas alheias;
4. Desejar a mulher do próximo;
5. Levantar falso testemunho;
6. Pecar contra a castidade;
7. Desonrar Pai e Mãe;
8. Não guardar um dia para Deus;
9. Tomar o nome de Deus em vão;
10. Não amar a Deus.


Para quem acredita em Deus ou uma Força Superior do Universo, que não deixa de ser Deus, jamais teve orientação para ser ARROGANTE, PREGUIÇOSO, LASCÍVO, IRASCÍVEL, INVEJOSO, GULOSO, AVARENTO.


As pessoas ARROGANTES se acham superior a todos e a tudo, até de Deus duvidam. Muitas pessoas ricas, certas autoridades, alguns cientistas, têm tendência à arrogância, às vezes se julgando verdadeiros deuses. Eles não conseguem ver suas condições terrenas como missão, razão pelos comportamentos de superioridade em relação a outros seres humanos.


O olhar de um homem rico para um pobre é sempre na ótica material, o rico principalmente não consegue ver seu semelhante sob a ótica humana ou de uma missão. O pobre é tido como alguém que NUNCA VALE NADA. Numa discussão a regra é sempre de: “quem é você?” ou “com quem você pensa que tá falando”.


Para o PREGUIÇOSO é mais simples mostrar seu erro, afinal de contas todo mundo sempre prestigia quem trabalha independente da sua forma de olhar o mundo.


O ser humano que coloca o sexo como prioridade e até vende seu corpo, está simplesmente contrariando uma lei da natureza. Está desrespeitando a si primeiramente e aos seus semelhantes.


A IRA é um dos pecados capitais que nos afasta do nosso irmão. Quantos erros estamos cometendo no trânsito, nas relações trabalhistas, nas nossas diferenças estúpidas e que nos leva a discutir com o nosso semelhante, quando na verdade bastava um pouco de serenidade para agir antes de nos irarmos. Você já parou para pensar que a ira só incomoda quem a sente? Ao outro nada afeta esse comportamento.


Quantas vezes você já escutou: A INJEVA MATA? É simples, ao invés de a pessoa seguir seu rumo, trabalhar, estudar, conquistar suas coisas em função da sua capacidade, prefere acreditar em tê-las INVEJANDO o seu próximo. Não vai acontecer nada, o máximo é colocar olho grande nas coisas do outro e este perdê-las ou ficar numa situação desfavorável, nada mais do que isso. Quem inveja não lucra nada com isso.


A GULA lhe leva simplesmente a ENGORDAR. Você não pode comer tudo o que quer ou tudo o que pode só porque tem condições financeiras. Se não bastasse a questão da obesidade as clínicas de tratamentos de emagrecimento lhe esperam. Tenha uma alimentação saudável e gaste o excedente para fazer o bem.


A AVAREZA é um dos males maiores. Veja quantos seres humanos só se preocupam em acumular riquezas e se esquecem de construir um mundo melhor e mais humano. Se os AVARENTOS observassem a regra básica do NASCER, VIVER e MORRER, não achariam que tudo ao seu redor está voltado para lhe roubar.


Além disso, há o racismo e o preconceito, males horríveis muito relacionados com a arrogância e complexo de superioridade. Quem discrimina o faz por achar-se superior ao outro. A cor é apenas um diferencial de raças, nada mais do que isso. Não muda a essência de quem se é.


Se você tem o que refletir sobre o que escrevemos aqui não perca tempo REENSCREVA SUA HISTÓRIA, pois, se você não fizer pode ser vítima do seu próprio mundo.


Recentemente foram publicados estudos científicos que afirmam que FAZER O BEM FAZ BEM. Um grande exemplo do mundo atual é o bilionário Bill Gates, que tem feito um trabalho humanitário através de sua fundação para ajudar obras beneficentes e financiar novos projetos que visem o bem estar comum, chegando a recomendar: “Doe dinheiro, faz bem”.


Comecei a reescrever a minha história a partir dos 52 anos de idade através da FOCABRASIL. Os valores necessários já os tinha, porém precisava ativá-los. O insight veio em uma conversa com uma amiga descendente de japoneses, que citou uma teoria oriental que diz algo assim: “até os 50 anos você vive a vida do homem, dos 50 em diante você vive a vida de Deus.”


Se você considerar um horizonte máximo é difícil alcançar os 100 anos, então a partir dos 50 anos começa a curva descendente, então não há mais motivos para viver a vida do burro – veja em filosofias (www.focabrasil.com.br/filosofias.html) a idade do homem.


Por outro lado há ainda a preocupação que está se tornando mais presente em nossas vidas – o fim do mundo, ou o fim dos tempos, ou qualquer outra denominação que se queira dar.


Não é coisa difícil de acontecer, para o mesmo mundo que começou com 2 seres humanos e hoje conta com 7 bilhões. No mínimo nós teremos problemas de todas as ordens, os já anunciados são a escassez de água potável e o acúmulo de lixo produzido por nós. Eu já fiz meu prognóstico sobre o fim do mundo para 2056, leia em: http://focabrasil.com.br/religiosidade-materias.html#fim


MUDAR não é fácil. Custa o preço de abrir mão de valores arraigados, comportamentos há muito repetidos e até valorizados, mas podemos a cada momento REESCREVER NOSSA HISTÓRIA DE VIDA, basta querer.


Jorge Furtado
www.focabrasil.com.br


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Conhecer a nós mesmos


Esta semana coube-me escrever um texto para a Foca Brasil. Estava preparando algo sobre a terapia do elogio e do abraço (que em outra oportunidade irei compartilhar com vocês), acredito que esteja afetivamente um tanto carente, ou com necessidade de mostrar aos meus irmãos a importância do afeto nas relações humanas. Esse tema esteve povoando minha mente por muitos dias, tanto que “minhas pestanas até arderam”, como diria meu avô.


Todos os conceitos que eu procurava exprimir acabavam sempre por esbarrar em uma questão: a necessidade de reconhecimento que tem o ser humano. Necessidade que nos leva a outra: a de sermos premiados, recompensados.


Já disserem que o homem não é uma ilha e que não pode viver isolado. Somos seres sociais e isso é ponto pacífico. A questão que se coloca aqui é outra. Quero dizer que do ponto de vista emocional, parece que nós não nos bastamos. Estamos sempre à procura da aceitação alheia para nos sentirmos melhores, mais felizes.


Não acredito em acasos. Recebi há pouco uma mensagem de um amigo muito querido, o terapeuta Leo Freire, que encaminhava para sua lista de amigos um texto muito interessante de Carla Costa. Não a conheço, mas suas ideias vieram como a responder aos questionamentos que me fiz por toda esta semana. Vejam o texto:


“CONHECER A NÓS MESMOS É RESGATAR NOSSA ESSÊNCIA
Tenho visto muita gente deprimida. Muita gente sofrendo, pedindo ajuda, aqui e acolá, a deuses, santos, gurus!


Razões várias, família, falta de emprego, problemas financeiros, doenças, perdas de entes queridos.


Os olhos buscam outros olhos, o coração busca amparo, aconchego, através de palavras de carinho e compreensão. Sofrimento da alma, vazio da alma... Cansamos de buscar no exterior o que só existe em nós mesmos. Felicidade, amor, paz são conquistas do espírito, que ninguém pode nos proporcionar, a não ser nós mesmos.


Em Santo Agostinho encontramos o aforismo:"Não vás para fora; volta a ti; dentro do homem habita a verdade: a necessidade da busca."


O oceano é muito mais do que ondas e espuma. Contemplando-o vemos sua superfície, mas não temos acesso às suas profundezas. Quantos mistérios e maravilhas elas escondem! Para conhecê-los, precisamos mergulhar em suas águas.


Também nós somos muito mais do que a roupa que vestimos, a profissão que exercemos ou o corpo físico com que nos manifestamos no mundo e para o mundo. Se acreditamos que não há nada além do que vemos em nós e ao nosso redor, perdemos a essência e a beleza de quem nós somos. Perdemos a consciência de nosso poder, do sentido de nossa existência.


Há muito o homem formula e busca compreender as mais diversas questões ontológicas. Para Husserl, o grande desafio do ser humano é captar a essência que está embutida na existência. Infelizmente, nossa percepção e conhecimentos limitados nos deram apenas respostas parciais, dúbias ou falhas acerca do conhecimento do ser. Tentar inferir o todo a partir de algumas de suas partes é bastante difícil e arriscado. Cairemos sempre num terrível reducionismo, pois, em geral, ele é maior que a soma de suas partes. É como buscar conhecer o Universo a partir da visão do céu noturno onde nos encontramos.


É o que acontece com os materialistas, que sustentam que a única coisa da qual podemos afirmar a existência é a matéria e que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria, sendo os fenômenos resultado de interações materiais. Fizeram, desta forma, como os antigos que, em virtude de não conseguirem vislumbrar nada além da linha do horizonte, acreditavam que o mundo lá se acabava. A filosofia existencialista, por sua vez, descreveu um mundo irracional e absurdo, onde vivíamos uma existência sem sentido, ameaçados constantemente pelo sofrimento. Jean Paul Sartre dizia que a vida não teria sentido a priori. Ou seja, antes de viver, a vida não seria nada, mas dependeria do homem dar-lhe um sentido, possibilitando a criação de uma comunidade humana. Reconhecia, contudo, que o estimulante da existência humana é a transcendência, ou seja, é fora de si que ele vê um fim, um objetivo (a ação), que é libertação.


A partir de premissas de que o homem não é mais do que aquilo que ele faz, estas e outras ideologias estimularam o homem e a sociedade no desenvolvimento da razão, da tecnologia, da busca do conforto e do desenvolvimento econômico, mas gradativamente nos afastaram de nós mesmos, acarretando o aparecimento de um grande vazio existencial que, conscientemente ou não, tentamos "apagar" de nossas mentes e corações através da busca desenfreada do ter, do prazer instantâneo e contínuo e da necessidade permanente do outro.


Na ignorância de quem realmente somos, queremos que o outro nos reconheça. Na ausência de amor por nós mesmos, imploramos que o outro nos ame. Desconhecendo nosso potencial de cura e autocura, nos entupimos de remédios e poções, fazendo verdadeiras peregrinações aos consultórios médicos e hospitais. Esquecendo-nos de que Deus está em nós e que nós estamos Nele, o procuramos em imagens e talismãs, nos guias espirituais, bem como nos templos religiosos de toda sorte. Como já disse Herman Hesse:


"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."


Estamos matriculados na grande escola da vida, buscando constantemente progredir. Como em toda escola, há muitas disciplinas a serem aprendidas. A disciplina do amor, do perdão, da tolerância, da indulgência, da humildade, entre outras. Como toda escola, somos testados em nosso aprendizado. Temos tarefas a cumprir. Precisamos nos esforçar para aprender o que é necessário, do contrário, não passaremos de ano e precisaremos repetir as matérias. Em outra existência, numa outra personalidade, mas em essência, somos o mesmo espírito imortal.
Através do autoconhecimento, percebemos nossas potencialidades e dificuldades, as lições que necessitamos aprender nesta existência e em que patamar estamos no nosso aprendizado. Compreendemos que a nós cabe o esforço diuturno do aprimoramento íntimo, sabendo que quando a dor vem, é a fim de nos avisar que nosso rendimento está abaixo daquilo que é esperado e que precisamos nos esforçar mais ou testar nosso progresso em determinada "matéria". Concluímos que o sofrimento é colheita, nascido do plantio da ignorância, do egoísmo e do medo. E que o amor é a verdadeira força de criação e coesão de todas as coisas.


Por isso afirmamos:


Basta de sofrer, de implorar por amor e felicidade. Nós somos amor! Nós somos felicidade! Essa é nossa essência, mas o que pensamos, dizemos e fazemos nos aproxima ou nos afasta dessa essência.


Não acreditemos no niilismo. A vida tem sentido sim! Tudo tem uma causa, nada é em vão. Existimos não pelo simples fato de existir, não para desfrutarmos dos prazeres terrenos ou sofrer. Existimos para conhecer e resgatar a nós mesmos, através da vivência daquilo que somos, o amor.”


Impossível ler esse texto sem refletir sobre as verdades nele contidas. Mais do que isso, impossível não admitir que muitas vezes nos tornamos mendigos emocionais por não compreendermos que todo o afeto do qual necessitamos está contido em nós mesmos e que esse afeto só nos retorna quando o damos ao nosso próximo, a tal história de “é melhor dar do que receber”.


Da mesma forma, não há como deixar de considerar a urgência em explorar nosso coração e mente em busca de quem verdadeiramente somos, mas isso, muitas vezes, dói. Dói muito.


Olhar para quem somos implica em conhecer o lobo feroz que habita nossas entranhas, em reconhecer que não somos tão bonzinhos ou tão corretos como imaginamos ser, ou queremos que os outros acreditem que sejamos.


No caminho que percorro de casa para o trabalho havia um gigantesco outdoor da cultura logosófica, onde estava escrito o seguinte conceito (mais ou menos assim): “a maior felicidade que o homem pode alcançar é se conhecer e a maior infelicidade é não se conhecer”. Meu marido, à minha frente nesta questão, toda vez que lia aquele impresso repetia sua opinião sobre o assunto em uma cantilena diária. Admito que aquilo me incomodava um pouco e que senti grande alívio quando o texto foi substituído.


Agora reconheço que o incômodo todo era por perceber o quão distante estava de iniciar a incursão que me levaria a encontrar meus demônios e lobos ferozes. Nunca é tarde para começar. Experimente você também.


Viviane Sgarzi Coimbra é advogada e colaboradora da FOCABRASIL.


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Minimamente feliz

A felicidade é mesmo um estado mágico e duradouro?


A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.


Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.


'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.


Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.


Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.


Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?


Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.


Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.


Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro “Mulheres - Por que Será que Elas...”, da Editora Globo.


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Normose


Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se 'normaliza' acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?


Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.


A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a autodepreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?


Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de autoestima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.


Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.


É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.


Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.


Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.


Martha Medeiros (05.08.07-Jornal Zero Hora - P. Alegre-RS)


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Aversão às mulheres

O nome disso é misoginia – e você provavelmente pratica

IVAN MARTINS


Lembro com clareza da primeira vez que ouvi a palavra misoginia. Estava falando com uma colega de faculdade que acabara de voltar de uma reunião em uma revista para a qual escrevia resenhas literárias. Apesar do empenho da minha colega em ser simpática, apesar dos seus textos inteligentes e do seu sorriso encantador, o chefão da revista, que se cercava apenas de homens, fazia questão de ignorá-la. “É uma redação misógina”, ela concluiu desanimada. “Mulheres ali não têm a menor chance.”


Envergonhado com a minha ignorância, calei a boca e fui atrás do dicionário na primeira oportunidade. Lá estava. Misoginia: ódio ou aversão às mulheres. Estranha palavra. Ao contrário do que parece, não é sinônimo de homossexualidade, que se refere à ausência de atração sexual pelas mulheres. Tampouco se confunde com machismo, que considera as mulheres inferiores aos homens, mas tem um conteúdo paternalista, protetor.


A misoginia sustenta que os homens devem se libertar da influência ou dependência do sexo feminino. Ela considera que a mulher e o universo feminino são mesquinhos ou perigosos. O misógino despreza as mulheres e cultua supostas virtudes masculinas - força, coragem e inteligência, por exemplo.


Eis como se expressa um misógino: “Nenhum homem que pense profundamente sobre as mulheres mantém uma opinião elevada sobre elas. Ou os homens desprezam as mulheres ou nunca pensaram seriamente a respeito delas.” A frase é de Otto Weininger, um influente filósofo austríaco morto em 1903. No século 21 ninguém mais escreve essas coisas, mas o sentimento está por aí, vivíssimo. “Se mulher não tivesse bo...., eu nem cumprimentava”, eu ouvi outro dia. Era um amigo me contando o que ouvira na rua, dito em tom de brincadeira.


Por que escrever sobre uma coisa tão velha, tão burra e obviamente tão preconceituosa? Pela simples razão de que esse modo de ver as mulheres ainda faz parte do nosso pensamento. Aqui mesmo, nos comentários desta coluna, eu tenho lido repetidas agressões às mulheres, perpetradas por homens e algumas mulheres que eu considero claramente misóginos.


Eles não dizem mais que as mulheres são burras ou fracas. Mas dizem que são interesseiras. Dizem que são falsas. Dizem que elas são manipuladores e, contraditoriamente, que elas gostam de ser dominadas por homens escrotos. Dizem, sobretudo, que os sentimentos delas são subordinados a interesses materiais. “Quem gosta de homem é v..... Mulher gosta de dinheiro”, repete-se por aí.


A mulher que emerge dessas opiniões é uma espécie de bruxa, um monstro moral, uma criatura meio perigosa e meio desprezível de quem as vitimas não se afastam pela única razão de que dependem dela para o sexo. “Ruim com elas, pior sem elas”, diz o bordão. E reparem: não se trata de denegrir uma mulher em particular, um ser humano real que poderia ter esses e outros defeitos. A misoginia fala das mulheres no atacado, no coletivo, no geral. “Mulher é tudo assim”, se diz.


Por trás desse tipo de discurso há várias deformações. Uma delas, óbvia, é uma visão prostibular das mulheres. Os caras que dizem essas coisas acreditam, mesmo sem saber, que todas as mulheres estão à venda. Eles acham que todas elas são mercadoria. Pensam que as mulheres estão sempre atrás da melhor oferta: casam com o mais rico, namoram o mais poderoso, se aproximam de que tem mais status. Como eles ainda acham que as mulheres são incapazes de ganhar seu próprio sustento, sugerem que a vida delas tem o propósito velado de seduzir em troca de vantagens materiais. Princípios, sentimentos ou valores seriam acessórios. Existe até uma suposta teoria evolutiva que explicaria isso: por fracas e dependentes, as mulheres desde a idade das cavernas buscam machos mais fortes para ter com eles suas crias. A falta de caráter vira determinismo biológico.


É natural que poucos homens se reconheçam nessa descrição tão radical de misoginia. Mas, vistos de pertos, todos nós carregamos e divulgamos um pouco dessas ideias. Elas são antigas, afinal. Na cultura grega, foi a primeira mulher, Pandora, quem abriu por curiosidade uma jarra (não caixa...) e permitiu que dali saíssem todos os males que afetam os homens, como as doenças e a morte. É uma história parecida com a lenda hebraica de Adão e Eva no Paraíso. Criada da costela de Adão, Eva lançou a humanidade em desgraça ao comer o fruto proibido. Sempre as mulheres nos comprometendo, não?


No contexto moderno, em que as mulheres estão invadindo os ambientes masculinos do trabalho e disputando as mesmas prerrogativas sexuais de liberdade, essas ideologias subliminares têm uma função defensiva: elas reúnem os homens sob uma mesma crença, a de que eles são seres humanos melhores e ainda têm na vida um papel mais nobre que o das mulheres.


Mas basta olhar em volta para ver que isso não é mais verdade. Este ano, se faltassem outros exemplos, temos duas mulheres e apenas um homem disputando a presidência do país. São duas idealistas, com temperamentos e ideias totalmente diferentes entre si. Elas simplesmente não cabem no mesmo estereotipo feminino.


Ontem, aqui na Editora Globo, tivemos a premiação dos melhores trabalhos jornalísticos do ano passado. Boa parte dos prêmios, senão a maioria, foi recebida por mulheres – mulheres com idade entre 24 e 55 anos. E ainda ontem eu fiz uma palestra para estudantes de jornalismo da USP e notei o óbvio: que a maioria da turma era formada por mulheres. Mulheres curiosas, falantes e inteligentes. Elas simplesmente não vão parar de vir.


A moral dessa história, para mim, é que temos de parar de idealizar. A idealização machista das mulheres as reduz à condição de esposas e mães. Santas. A idealização misógina as transforma em medusas devoradoras da alma masculina. Putas. Mas as mulheres não são apenas santas ou putas. Elas são as duas coisas, entre tantas outras coisas - o que faz delas, como nós, criaturas fascinantes. E muito mais divertidas.


(Ivan Martins escreve às quartas-feiras.)
IVAN MARTINS - É editor-executivo de ÉPOCA


Fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI143052-15230,00-AVERSAO+AS+MULHERES.html


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A pipoca que somos

Rubem Alves


A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas, o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas. Por isso, tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois, foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca é um milho mirrado e subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas Espigas Nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Não sei como Isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu ninguém jamais poderia ter Imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas, o extraordinário era o que acontecia com eles:


Os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. Mas, a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem.


Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.


Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.


Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é lixo.


Que o fogo do Espírito Santo possa estar queimando nossas cascas e fazendo-nos mais maleáveis ao seu sopro. Deixa-te moldar pela Palavra viva e pelo poder de Deus! Saia da mesmice e faça diferença em sua geração.


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Amigos


Um homem, seu cavalo e seu cão, caminhavam por uma estrada. Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que ele, seu cavalo e seu cão haviam morrido num acidente. Às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição.


A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água.


Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.


O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita, guardava a entrada.


-- Bom dia - ele disse.
-- Bom dia - respondeu o homem.
-- Que lugar é este, tão lindo? ele perguntou.
-- Isto aqui é o céu - foi a resposta.
-- Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede, disse o homem.
-- O senhor pode entrar e beber água à vontade - disse o guarda, indicando-lhe a fonte.
-- Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
-- Lamento muito - disse o guarda-aqui não se permite a entrada de animais.
O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede.
Assim, prosseguiu seu caminho.


Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, ele chegou a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semiaberta.


A porteira se abria para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra. À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo.


-- Bom dia - disse o caminhante.
-- Bom dia - disse o homem.
-- Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
-- Há uma fonte naquelas pedras - disse o homem e indicando o lugar.
-- Podem beber a vontade.


O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede.


-- Muito obrigado - ele disse ao sair.
-- Voltem quando quiserem - respondeu o homem.
-- A propósito - disse o caminhante - qual é o nome deste lugar?
-- Céu - respondeu o homem.
-- Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o céu!
-- Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.
O caminhante ficou perplexo.
-- Mas então - disse ele - essa informação falsa deve causar grandes confusões.
-- De forma alguma - respondeu o homem.
-- Na verdade, eles nos fazem um grande favor.
Porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar seus melhores amigos...


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