FOCA BRASIL - Fundação Organizacional de Comunidades Autônomas

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O país do autoengano

Um negro no Supremo e alguns brancos na Papuda

Seremos algum dia Japoneses?

Japão após o desastre - Uma lição para o mundo!

Sobre A Interdisciplinaridade

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O país do autoengano

Para psicanalista, recentes erupções de violência no Rio de Janeiro mostram que, sob a fachada do ufanismo desenvolvimentista, o Brasil esconde as velhas mazelas de sua modernização imperfeita.
06 de abril de 2013, Ivan Marsiglia


O conceito de "retorno do reprimido", descrito por Sigmund Freud pela primeira vez em 1895, é um mecanismo de defesa segundo o qual os conteúdos reprimidos, expulsos da consciência de uma pessoa, tendem a reaparecer constantemente. Três tragédias ocorridas sucessivamente no Rio de Janeiro nos últimos dias parecem sintomas de algum distúrbio oculto. Na manicure que asfixiou sem dó um menino de 6 anos com quem convivia, no estupro brutal de uma turista americana que pegou uma van em Copacabana e na agressão incompreensível que teria provocado a queda de um ônibus de cima de um viaduto expressam-se os sintomas de um antigo mal-estar de nossa civilização: a violência.

onibus

Nascido em São Paulo e radicado no Rio, o filósofo e psicanalista André Martins Vilar de Carvalho vê nesses acontecimentos a ponta do iceberg do autoengano nacional. "A propaganda enganosa da pacificação do Rio é a mesma do Engenhão construído há só cinco anos, que corre o risco de cair na cabeça da multidão", compara. "O Brasil vive uma espécie de capitalismo desenvolvimentista selvagem, que no fundo não quer gastar dinheiro com o social."


Doutor em filosofia pela Universidade de Nice e em teoria psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde é professor associado, Martins diz ter a sensação de que tudo é feito hoje no País apenas para montar uma fachada que esconde nossos problemas mais profundos. Isso é perigoso e "favorece junto a pessoas com menos estrutura psíquica a ideia de que esta é uma terra de ninguém, onde tudo pode ser feito, inclusive crimes hediondos". O professor sustenta que as psicopatias, embora individuais e independentes de formação ou classe social, relacionam-se inevitavelmente ao descaso persistente com a primeira infância em nosso país.


Na entrevista a seguir, o autor de Pulsão de Morte? - Por uma Clínica Psicanalítica da Potência (Editora UFRJ, 2010) e O mais Potente dos Afetos: Spinoza e Nietzsche (Martins Fontes, 2009) vê na violência que emerge no cotidiano nacional os sinais da modernização imperfeita do País - em especial a marca persistente da escravidão, que "naturalizou" o fosso social brasileiro e a cultura do privilégio e do interesse mesquinho, que se manifestam tanto na corrupção política quanto nos instintos particularmente animais de certos empresários.


O estupro de uma turista dentro de uma van e o assassinato de um menino de 6 anos pela manicure que frequentava sua casa parecem ter feito o Rio despertar do sonho pacificador das UPPs para uma espécie de 'retorno do reprimido' da violência. O que houve?
Vejo as UPPs não como uma política ideal, mas possível, que age de maneira razoavelmente eficaz contra o crime organizado e o tráfico de drogas. Acontece que a violência que emerge agora não é fruto desse contexto. No caso da van, foram uma série de assaltos e estupros cometidos por três indivíduos e a manicure, uma mulher que cometeu o crime sozinha. O que vale colocar em questão aqui é esse "sonho pacificador", é a política local transformar uma iniciativa bem-sucedida em uma grande propaganda de um Rio de Janeiro pacificado. Isso é que é falso. Faço uma analogia, guardadas as devidas proporções, com o Engenhão interditado. Às vésperas da Copa do Mundo e da Olimpíada, a coisa é apresentada como se o Rio não tivesse mais problemas, virou uma cidade organizada, valorizada... Aí um estádio que foi construído cinco anos atrás corre o risco de desabar na cabeça da multidão. Descobre-se que a construção foi malfeita, obviamente por algum tipo de superfaturamento - e digo isso sem nenhum cuidado porque acho que é preciso dizer o óbvio. É a mesma propaganda enganosa que assistimos sobre a violência.


O colunista carioca Artur Xexéo escreveu, sobre os últimos acontecimentos, que 'quando a cidade se olhar no espelho e vir o que ela realmente é por debaixo das muitas camadas de maquiagem e aplicações de botox, talvez descubra como se tornar maravilhosa de verdade'. O Rio e o Brasil padecem de certo distúrbio de autoimagem?
Concordo, inclusive em relação ao Brasil, que vive uma espécie de capitalismo desenvolvimentista selvagem, que no fundo não quer gastar dinheiro com o social, interessando-se pelo lucro a qualquer custo. A violência que escapa nesses dois exemplos, dos rapazes da van e da assassina do menino, é proveniente de indivíduos que refletem um descaso social como um todo. Para usar um termo que tem origem na filosofia política do século 17, o Brasil pode até ter um contrato social, mas ele está muito corrompido. E o que não temos é um pacto social, não existe um discurso de construção de fato de um país para todos. O que existe e, mais triste ainda, é aceito, são interesses individuais ou de pequenos grupos mesquinhos, mas não uma disposição de pensar o coletivo. A ideia do "cada um puxa a sardinha para seu lado" está legitimada socialmente no Brasil.


Então as oportunidades representadas pela organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas estão sendo jogadas fora?
Exatamente. Poderíamos estar aproveitando esses eventos para, dentro de um capitalismo minimamente responsável, utilizá-los para captar recursos para melhorias sociais. Todo mundo sabe disso, mas ninguém faz e ninguém cobra. Há um sentimento geral de que tudo é feito no Brasil hoje apenas para montar uma fachada. É algo muito desanimador. E que, no meu entender, favorece junto a pessoas que têm menos estrutura psíquica a ideia de que o Brasil é terra de ninguém, onde tudo pode ser feito, inclusive crimes hediondos.


Na mesma semana, a queda do ônibus de um viaduto durante uma briga banal entre o motorista e um passageiro mostrou até onde os impulsos agressivos do cotidiano podem levar. O que o fato de ambas as tragédias terem ocorrido no transporte público sinaliza?
Esse mesmo descaso com a coletividade. Não é por acaso que o transporte público tanto no Rio como em São Paulo, onde nasci, é tão ruim. E, a partir de um certo nível social ou de idade, ninguém mais quer andar de ônibus, por exemplo, ao contrário do que acontece na Europa ou nos EUA. O universitário que agrediu o motorista já tinha vários antecedentes de violência física. Aquele ônibus já registrava 40 multas, quase a metade por excesso de velocidade. Os motoristas não são fiscalizados e devem cumprir metas de número de viagens diárias. Como motoristas despreparados e sem formação continuam dirigindo? E a responsabilidade dessa companhia de ônibus? Por que não se interessa pela pressão sofrida por seus motoristas, mas ao contrário a exerce e a agrava? No caso dos três rapazes na van, também: se eles já haviam cometido diversos assaltos e estupros, com denúncias registradas inclusive em delegacias da mulher, por que nada foi feito? O mesmo pode ser dito quanto às diversas irregularidades absurdas vigentes no incêndio da boate em Santa Maria no Rio Grande do Sul, quando gestão privada e poder público se preocupavam exclusivamente com o lucro que o negócio gerava. É um problema não só político, mas jurídico. A Justiça brasileira tem que renovar sua forma de funcionar. E Brasília dá um péssimo exemplo com a corrupção, não só do mensalão, que pelo menos foi julgada, mas no sentido amplo da palavra - por sua falta de zelo com a res publica, a coisa pública.


De que maneira as ferramentas da psicanálise ajudam a compreender a violência?
É uma psicopatia grave a dessa moça que sequestrou e assassinou um menino com quem convivia havia três anos. O que se percebe é uma falta de identificação com o outro. Essas pessoas, seja a manicure, sejam os rapazes da van, manifestam uma perversidade e indiferença para com o outro. O processo de identificação com o outro se dá ao longo da vida, mas fundamentalmente na infância. Quando a criança lida com cuidadores hostis a ela, pode separar no processo identificatório - que está na origem da capacidade de se sensibilizar com o outro - aqueles com quem se sensibiliza e outros com por quem não sente nada. A pessoa que desenvolve essa psicopatia pode até nutrir sentimentos em relação à mãe, um amigo ou parente, mas não se sensibilizar, por exemplo, por uma criança de 6 anos que conviveu com ela, como aconteceu no crime da manicure. Ou pelas várias mulheres que esses homens estupraram, com uma violência capaz de quebrar ossos. Isso significa que filhos de classes mais pobres vão estar necessariamente mais inclinados a esse risco do que os ricos que estudaram em bons colégios? Não. Está aí o caso Suzane Richthofen para mostrar. Ou o próprio agressor do motorista do ônibus, que tinha nível universitário. Mas é preciso reconhecer coletivamente a importância desse cuidado na primeira infância - algo que o País não tem feito. Um exemplo é a falta de creches boas e em número suficiente. Aqui, de novo, não basta "entregar" fisicamente tais obras, mas se preocupar com a qualidade do que será vivenciado lá dentro. O mesmo acontece com a educação pré-escolar e no ensino fundamental. É algo gritante e urgente.


Dois dos crimes que o Sr. cita tiveram um componente sexual - evidente no caso do estupro, mas presente também na acusação, feita pela manicure, de que estaria sendo assediada pelo pai do menino. Ambos não parecem ter sido cometidos só pelo benefício financeiro. Por que foram então?
Primeiro, não vejo que esses crimes possam ser atribuídos a aquelas pulsões agressivas do ser humano que Freud chamou de pulsão de morte ou destrutiva, ou a uma pulsão sexual vista como fundamentalmente bestial. Três rapazes que sentem mais prazer em violentar mulheres para poder ter uma relação sexual paradoxalmente não estão encontrando o gozo no sexo em si, mas na violência. Uma pessoa minimamente saudável, numa situação dessas, perderia o interesse, acharia deprimente. Muito mais do que expressar pulsões naturais ou bestiais do ser humano, eles estão se excitando sexualmente por uma violência hedionda e atroz contra outra pessoa. Eu vejo como parte dessa patologia comum da não identificação, que gera uma raiva difusa e uma destrutividade por essa vítima que eles não conhecem, como no caso da van, ou que conhecem muito bem, como no caso da manicure. Repito: a não identificação é construída em relações afetivamente precárias da primeira infância, não é "natural" ou instintiva.


Seu trabalho discute a forma como o corpo é manipulado na atual sociedade de consumo. Como a violência se insere nisso?
É outro aspecto, mas que se liga a esse que acabamos de discutir. A propagação, seja por interesses de mercado ou financeiros, de um ideal de corpo perfeito, de felicidade financeira perfeita, de relações sexuais performáticas, cria uma pressão psicológica social que suscita nas pessoas que se percebem distantes desses ideais um mal-estar, que pode se expressar em ressentimento. Que, em casos graves, pode se expressar em violência, destruição em relação a essa sociedade em que elas não se encaixam.


Então, a mistura do déficit social brasileiro com a expansão das possibilidades de consumo tem um potencial explosivo.
Sim. E aí podemos voltar àquele ponto inicial do sonho pacificador não só no Rio de Janeiro, mas do momento econômico do Brasil. Do que a gente está se vangloriando tanto? De que as classes C, D e E possam consumir? Isso é muito bom em vários aspectos. Agora, a possibilidade de consumir vir à frente da sociedade ter um pacto coletivo, sentir-se coletivamente envolvida numa melhor distribuição de renda, com melhorias na saúde, na educação e na moradia, é uma visão deturpada do coletivo. E a violência é uma face disso.


Há diversas explicações para o caráter violento da sociedade brasileira, desde as que culpam o trauma da colonização, as que apontam nossa prolongada escravidão, até o precário acerto de contas com violações cometidas durante a ditadura militar. Qual dos fatores concorre mais, em sua opinião?
Todos concorrem, mas o segundo, no meu entender, é sem dúvida o predominante: a nossa história de escravidão. Porque nos outros dois outros fatores podemos até encontrar aspectos positivos. No caso da colonização, apesar de toda a violência, tivemos a miscigenação, a mistura de raças, que nos trouxe qualidades distintivas. Mesmo em relação à ditadura, com a sua injustiça escandalosa, há o elogiável sentimento brasileiro de não cultivar o ódio ou a vingança. Já a herança escravocrata é particularmente perversa: ela cria um sentimento de desigualdade social aceito de maneira não questionada no Brasil. E também uma perversidade na relação de poder, a ideia de que inevitavelmente vai existir uma elite, que esse fosso de distribuição de renda "faz parte". É um sentimento muito ruim, muito prejudicial para o pacto coletivo de que precisamos.


O componente sexual dessas agressões pode também estar relacionado a essa herança escravocrata?
Sem dúvida. Na escravidão, como se sabe, as negras eram também escravas sexuais. O que difundiu uma percepção de que é legítimo submeter sexualmente o outro à força, de que o sexo não é nem precisa ser algo bom e consensual entre parceiros, um prazer ou uma alegria compartilhados. Isso é cultural, não um comportamento advindo de alguma natureza bestial do ser humano. Nem tem a ver com o sadomasoquismo, que é um jogo compartilhado. Mas com o desprezo pelo outro e o prazer pela violência.


Como o Brasil pode lidar melhor com esse conteúdo violento que parece tentar negar, seja nesse ufanismo pré-Copa, seja sob a eterna fantasia do povo alegre e festeiro?
A tese que defendo é que é inútil para o Brasil tomar a Europa como um modelo civilizatório. A civilização, no sentido europeu do termo, conseguiu combater uma violência primária, direta e sem mediação, ao preço de desenvolver uma violência secundária, que se dá em nome da civilização, de forma institucionalizada - e cujo maior exemplo são as guerras. Há menos violência nas ruas, mas mais violência contida que estoura no momento de uma guerra. No Brasil, a gente manteve uma violência primária que vem junto com o nosso tão propalado caráter cordial.


Que não é necessariamente positivo, como alguns interpretam.
É isso. A cordialidade, como bem definiu Sérgio Buarque de Holanda, vem da palavra "coração": é uma não mediação social. Algo assim: "Olha, vou ser muito gentil com você, se você for comigo. Mas se você não for, vou ser muito violento". É o contrário do que ocorre na Europa, onde predomina a polidez: mesmo pessoas muito zangadas e com raiva das outras, mantêm uma delicadeza dissimulada no trato. Enquanto a cordialidade aproxima, para o bem e para o mal, a polidez afasta, para o bem e para o mal. Penso que essa reflexão pode orientar o Brasil no sentido um projeto de coletividade: não vale a pena a gente aspirar a um processo civilizatório tal como o da Europa, pois muito dificilmente a gente vai aceitar essa imposição da lei, no sentido psicanalítico, pelo preço que isso acarreta. Então, insistir nisso é insistir num provincianismo brasileiro de pensamento que considera que o modelo dos outros é bom em todos os aspectos e o nosso ruim em todos os aspectos. Porém, para que serve observar esses modelos? Para tentarmos entender que um certo respeito às instituições, um pouco de polidez, e ter um pacto social de projeto de coletividade é preciso - mas isso pode ser feito a nossa maneira. Mantendo o aspecto cordial do povo, que aproxima as pessoas, mas aprendendo o valor do respeito às instituições, jurídicas, políticas e de organização urbana. Tentar importar a polidez europeia nunca vai dar certo e vira uma desculpa para não se fazer nada. E acaba nos levando a simplesmente enaltecer a cordialidade, sem perceber que, sem o respeito às instituições e um projeto de coletividade, junto com ela vem a violência.


* ANDRÉ MARTINS É FILÓSOFO, MEMBRO DO CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO E AUTOR, ENTRE OUTROS, DE PULSÃO DE MORTE? (EDITORA UFRJ, 2010)


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Um negro no Supremo e alguns brancos na Papuda


joaquim barbosaTodos os jornais, noticiários, e as redes sociais, principalmente, tecem elogios rasgados ao Excelentíssimo Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Joaquim Barbosa, pelo cargo conquistado semana passada e vão mais além, indicam-no para Presidente do Brasil e a manchete ou chamada é sempre do tipo: “O primeiro negro a conquistar tão alto cargo”.


Há muitas coisas para se perguntar com essa conquista:


1º - O cargo seria exclusivo de branco para tanto espanto?
2º - Foram as “cotas” responsáveis pela nomeação? ou
3º - Foram os méritos do Ministro Joaquim Barbosa, entre eles todos aqueles que qualificam um homem honrado?


Pois é, ELE NÃO PRECISOU DE 'COTA' PARA CURSAR A UNIVERSIDADE! É um ex-faxineiro que limpava banheiros no TRE do DF. Filho de uma dona-de-casa e de um pedreiro. Sem dinheiro, assim como outras tantas pessoas pobres, tinha que dividir seu tempo entre os bancos escolares e o trabalho, pois não tinha outra alternativa senão desdobrar-se caso quisesse conquistar um futuro melhor.


Foi nessa luta incansável que, com seu saber e facilidade em aprender outras línguas, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE e, como diz o saber popular, sempre passa um cavalo selado na nossa frente, e é nesse momento que você tem que ser rápido na decisão. Um diretor do Tribunal ao escutá-lo cantar ficou surpreendido ao constatar uma pessoa da faxina ter fluência em outro idioma e com sua admiração abriu caminho para outras funções.


Para falar francês, inglês, alemão e espanhol, não precisa ser negro ou branco, basta estudar. E para fazer uma carreira brilhante ou de destaque também não precisa ser branco ou negro, basta ser competente, estudioso, honrado e digno – e isso Joaquim Barbosa tem de sobra.


joaquim barbosaFormou-se em Direito pela Universidade de Brasília - UnB e conquistou titulação em Doutor e Mestre em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) e fez Mestrado em Direito e Estado pela Universidade de Brasília (1980-82), que lhe valeu o diploma de Especialista em Direito e Estado por essa Universidade. Foi membro do Ministério Público Federal de 1984 a 2003; foi Chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde (1985-88); foi Advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO (1979-84); foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia; foi compositor gráfico do Centro Gráfico do Senado Federal.


É Professor licenciado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ensinou as disciplinas de Direito Constitucional e Direito Administrativo. Foi Visiting Scholar (1999-2000) no Human Rights Institute da Columbia University School of Law, New York, e na University of California Los Angeles School of Law (2002-2003).


Seu extenso currículo vai mais além, mas pelo já citado é suficiente para qualificar em alto grau um profissional competente e de notório saber.


Por outro lado, a Papuda, presídio de Brasília, através da qual vamos representar todas as outras cadeias, tem recebido homens até então tidos como dos mais altos conceitos do serviço público, todos brancos.

prefeitos

Negros na cadeia já existem muitos e aí entra outra discussão: preconceito racial e social, visto não conhecermos a existência de negros ricos nas Papudas Brasil a fora.


Enquanto Joaquim Barbosa veste uma capa preta apenas com um valor da indumentária que exige o regimento interno do Supremo, assim como todos os outros Ministros, ele foi um dos poucos que revestiu essa capa de competência, honradez, dignidade, caráter incorruptível, ética e outras mais que dignificam qualquer homem e a sociedade a qual representam. Por isso a euforia das redes sociais ante à carência que temos de homens desse quilate.


Parece que um novo horizonte está se delineando com as escolhas dos filhos de Deus (Brancos, Negros, Pardos, Índios, etc) em escolher novos valores para representar nossa sociedade. Não na cor, pois acho mera coincidência, mas no caráter e honestidade principalmente. Assim já fizeram os Estados Unidos, a maior potência mundial, reelegendo Barack Obama como líder supremo daquela nação, e assim poderá fazer o Brasil como está estampada nas redes sociais a indicação de Joaquim Barbosa para ocupar tal cargo.


As evidências são claras, um negro está nas manchetes e o povo quer HONESTIDADE, assim como quer dar um basta na Corrupção. Um basta nos mensaleiros sejam eles de qualquer partido, cor ou religião.


Esse BRASILEIRO, que ORGULHA os BRASILEIROS, que é exemplo, merecedor de nossas reverências, e que eu o aplaudo de pé, poderia ser igual aos outros Ministros de comportamentos duvidosos em qualquer corte. Joaquim Barbosa, por ironia do destino teve um segundo cavalo selado, cujas rédeas foram seguradas por José Dirceu, então Ministro Chefe da Casa Civil, que chancelou a indicação de seu nome para o Supremo.


Se lhe faltasse honra, caráter, dignidade, ética, seria mais um vendido e certamente absolveria José Dirceu e os outros mensaleiros, porém, ao contrário assumiu o papel que compete ao Supremo – fazer Justiça, independente dos favores.


Avante Brasil com os valores morais e éticos de quem os possui!


Jorge Furtado
FOCABRASIL


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Seremos algum dia Japoneses?

RUTH DE AQUINO - é colunista de ÉPOCA
raquino@edglobo.com.br


O dinheiro e as barras de ouro estavam em cofres e carteiras de vítimas do tsunami no Japão. Em casas e empresas destruídas. Nas ruas, entre escombros e lixo. Ao todo, o equivalente a R$ 125 milhões. Dinheiro achado não tem dono. Certo? Para centenas ou milhares de japoneses que entregaram o que encontraram à polícia, a máxima de sua vida é outra: não fico com o que não é meu. E em quem eles confiaram? Na polícia, que localizou as pessoas em abrigos ou na casa de parentes e já conseguiu devolver 96% do dinheiro.


A reportagem foi do correspondente da TV Globo na Ásia, Roberto Kovalick. A história encantou. “Você viu o que os japoneses fizeram?” Natural a surpresa. Num país como o Brasil, onde a verba destinada às inundações na serra do Rio de Janeiro vai para o bolso de prefeitos, secretários e empresários, em vez de ajudar as vítimas que perderam tudo, esse exemplo de cidadania parece um conto de fadas. O que aconteceu em Teresópolis e Nova Friburgo não foi um mero e imoral desvio de dinheiro público. Foi covardia.


Político japonês não é santo. Mas digamos que, em alguns países, os valores da população são menos complacentes do que em nosso cordial patropi. E a impunidade não é regra. Em que instante a nossa malandragem deixa de ser folclórica e cultural e passa a ser crime de desonestidade? Por que a lei de tirar vantagem em tudo está incrustada na mente de tantos brasileiros? A tal ponto que os honestos passam a ser otários porque o mundo seria dos espertos?


A presidente Dilma Rousseff não parece fazer parte do time dos espertos. É o que tem atraído para ela um tsunami de simpatia popular. Você deve ter reparado. Ao discursar, Dilma não faz piada, não diz palavrão, nem comete analogias com o futebol. Ao contrário. Ela é a antítese do palanqueiro populista. Tem dificuldade em falar a linguagem do povão até quando coloca o chapéu das Margaridas, as trabalhadoras rurais. Promete “implantar, implementar, disponibilizar”.


Eles devolveram às vítimas do tsunami R$ 125 milhões. Precisamos – nós e a polícia – aprender a agir assim.


Seu desconforto com o palco é evidente. Dilma lê. Não é bom para ela, porque os olhos baixam. A leitura torna o discurso mais frio e hesitante, porque há vírgulas. Ela tropeça nos travessões. Seu pensamento não flui. É pedir demais que ela se torne um dia uma oradora que arrebate multidões. Mas a ausência de carisma parece não importar ao brasileiro. O eleitor não aguenta mais a cambada que suga recursos de nossa Saúde, nossa Educação. Dilma parece um peixe fora do aquário de piranhas políticas. E por isso conquista.


“Quero reafirmar a importância concreta e simbólica do pacto que firmamos hoje. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria”, disse Dilma na sede do governo de São Paulo. Foi um discurso para calar quem tenta isolar a presidente. Ela quis mostrar que está acima das disputas palacianas e não está sozinha coisa nenhuma. O “pacto republicano” de Dilma é suprapartidário. As fotos do “flerte” com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso devem ter causado urticária ao PT. Onde está mesmo a “herança maldita”?


Leitores me pediram para encampar a campanha anticorrupção do gaúcho Pedro Simon. Esta coluna não precisa encampar nada. Simon disse: “A sociedade tem que liderar o movimento”. É patético o coro de “volta, Lula”, ensaiado pelos que comiam churrasco no Palácio da Alvorada e hoje se veem privados da picanha presidencial.


As redes sociais começam a se mobilizar. Cariocas marcaram para 20 de setembro um grande ato contra a corrupção, na Cinelândia, centro do Rio, onde 200 mil pediram em 1984 as Diretas Já. “Queremos evitar batuque, por isso não escolhemos a orla”, dizem os organizadores. Há a sensação de que o movimento precisa estar nas ruas para ganhar legitimidade.


Políticos incomodados tentam nos impingir o medo. Uma frente anticorrupção jogaria o país na anarquia ou na ditadura. Isso é conversa para brasileiro dormir. Um dia, todos precisaremos aprender que não se coloca no bolso, na bolsa, nas meias e nas cuecas um dinheiro que não nos pertence. É roubo.


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Japão após o desastre - Uma lição para o mundo!

10 Lições Japonesas!


1. A CALMA
Nem um único sinal de pânico. A tristeza foi crescendo, mas a atitude positiva manteve-se.


2. A DIGNIDADE
Foram feitas longas filas para a água e mantimentos. Nem uma palavra áspera ou um gesto bruto.


3. A CAPACIDADE
Arquitetura incrível e engenharia irrepreensível. Os edifícios oscilaram, mas nenhum caiu.


4. O CIVISMO
As pessoas compravam somente o que precisavam para o presente, para que todos pudessem ter acesso aos bens.


5. A ORDEM
Não houve saques nas lojas. Não houve buzinões nem ultrapassagens nas estradas. Apenas a compreensão pelo momento pelo que todos passavam.


6. O SACRIFÍCIO
Cinquenta trabalhadores não foram evacuados das instalações da central Nuclear para assegurarem que a água do mar fosse bombeada para os reatores. Nunca serão reembolsados!


7. A TERNURA
Os restaurantes reduziram os preços. Uma ATM foi deixada sem segurança. Os fortes cuidaram dos fracos e a entre ajuda estava na rua em todos os locais.


8. O TREINO
Os idosos e as crianças sabiam exatamente o que fazer. E fizeram exatamente o que era pressuposto fazer.


9. A COMUNICAÇÃO SOCIAL
Os jornalistas mostraram dignidade e contenção no modo como reportaram as notícias. O sensacionalismo foi rejeitado. Somente reportagens serenas.


10. A CONSCIÊNCIA
Quando, numa loja, energia elétrica falhou as pessoas colocaram as coisas que tinham na mão nas prateleiras e saíram tranquilamente.


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Sobre A Interdisciplinaridade

Ana Lúcia Francisco - Psicóloga


Não é sem ansiedade que ouvimos os noticiários de TV; também não me parece que é casual o tipo de informação que, de forma sistemática, vem sendo veiculada em todos os meios de comunicação, como se insistissem em nos fazer ver. Falo das questões da ética (nas relações sociais, na política, nas instituições e nos dispositivos que as sustentam), dos impasses que surgem envolvendo, simultaneamente, problemas relativos à ecologia e à tecnologia e à própria condição de sobrevivência da humanidade e do planeta, da violência, do tráfico de menores, de drogas, de influências. Parece-me que este cenário pode ser tomado como um analisador, não só do nosso tempo, mas, sobretudo, daquilo que nos exige atenção e que é necessário e urgente que problematizemos. As interfaces entre as competências já se mostram aí, teimando em nos dizer que, se durante um longo tempo tratamos estas questões e tantas outras de forma isolada, fragmentária e com soluções paliativas, já é tempo de pensá-las como interdependentes, conectadas e em mútuo processo de afetação. Se tudo o que afeta o planeta atinge o homem, parece-me que nenhuma ação individual na perspectiva de salvaguardar seu próprio território ou “criação” dará conta das demandas e das urgentes soluções que este cenário se nos coloca.


É bem verdade que, se não somos muitos, cada vez somos mais; Ainda que a corrente force sua direção no sentido da modelização, da esteriotipia, da inconsciência social, política e até mesmo de si como humano, mesmo assim, há um movimento de resistência ao que aí está como natural e, como diria Brecht, imutável. Exemplo disso e que vale a pena ligar a TV para assistir, foi um documentário sobre a vida do famoso maestro Hebert Von Karajan. Me chamou especial atenção, por que não dizer me comoveu, a preocupação do maestro em pesquisar a relação entre a música e as crianças autistas. Para o maestro, estas crianças “não só tem um especial talento para a música e a matemática”, como também estabelecem com a música uma forma de relação tão intensa e dialógica que esta funciona como um excelente instrumento terapêutico. Mais do que isto, o Maestro dedicava alguns trabalhos exclusivamente para este público, pois percebia que para estas crianças “a música deveria ser mais suave”. Seu envolvimento com este trabalho levou-o a fundar um Centro de Pesquisa Neurológica e Desenvolvimento da Criança Autista, centro que continua desenvolvendo suas atividades até hoje. O documentário também dizia que, embora seu ofício fosse a música, ofício a que se dedicou em toda sua vida, o maestro ocupou-se, igualmente, da interdisciplinaridade; com frequência convidava físicos, matemáticos, filósofos, enfim, cientistas das mais diversas áreas para darem palestras abertas a todos os que se interessassem por esta questão. É dele a frase: “A vida só existe para possibilitar a arte ou para criá-la”.


Nada mais a acrescentar como comentário, mas muito a refletir... Em uma época de carências as mais variadas, inclusive de utopias, eis o possível. Utopia não como uma projeção abstrata do futuro, mas no sentido de uma reflexão profunda sobre a realidade, reflexão sobre o que não foi feito e por que não o foi, para, a partir daí, traçar possibilidades...


Mas como foi dito, as ações individuais não nos levarão a nada. O maestro tinha sua orquestra que também acreditava; tinha os pais destas crianças que também apostaram nisso. Muitos se apropriaram desta possibilidade para torná-la possível. E por falar em interdisciplinaridade, concluo com uma poesia:


“Nós vos pedimos com insistência:
Não digam nunca: isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que reina a confusão,
Em que corre sangue,
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade
Se desumaniza,
Não digam nunca:
Isso é natural!
Para que nada passe
A ser imutável"


Bertold Brecht
Profa. Dra. Ana Lúcia Francisco
CRP 02/0086
Psicóloga, Psicoterapeuta, professora da UNICAP e coordenadora pedagógica do curso de pós-graduação em dinâmica de grupo - Gestão de Equipe - Libertas/UNICAP.


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